1. Brigitte Bardot (1934 - 2025)
2. Sal de Índio
3. EDUARDO MOREIRA E O DIA EM QUE O CHAT GPT VERMELHOU!
5. Venezuela se liberta: Buques Russos quebram o controle dos EUA no Caribe
6. A inteligência artificial pode significar a destruição do capitalismo como conhecemos hoje?
7. A polêmica matéria do The New York Times “25 filmes, muitas estrelas, zero sucesso”
8. Philip Glass & Bach
9. Bambico
10. ANDRÉ BARCINSKI | BENJA ME MUCHO
11. Marlene Dietrich
12. Detalhes de uma delação inflamável
13. Filme de Jafar Panahi se vinga do fanatismo religioso e político
14. Mirante do Rockfeller Center, em Nova York, permite recriar foto famosa
15. Lugar de criança não é na rede social
16. Glauber Braga
17. Vinícius Muniz & viola
18. Carlos Burle e susto de Nazaré
19. A vida na ponta dos dedos
20. O menino e o gato
21. Rádio Cultura SP: Rádio Cultura 103.3 FM, ouça aqui
22. Centrais sindicais elogiam jornada de 40h semanais, mas querem escala 5x2
23. Marco Pigossi fala de conselho de Silvio de Abreu para ficar no armário, casamento e mais
24. Mom (vídeo animação)
25. Com 673 diferentes tipos nativos, diversidade arbórea em SP impõe desafios
26. Florestan Fernandes viu em 'Memórias do Cárcere' denúncia do Brasil colonial
27. Como a Netflix roubou a Warner Bros. de David Ellison
28. O banquete fatal que eliminou 11 fazendeiros: A Ceia Mortal do Sobrado de Pernambuco, 1873
29. Dupla armada invade biblioteca Mário de Andrade e rouba obras de arte de Matisse e Portinari
30. Santos Reis - A epifania do Senhor
1. Brigitte Bardot (1934 - 2025)
Morre Brigitte Bardot, lenda do cinema francês e o 'sex symbol' absoluto de uma era
Atriz encarnou a imagem da mulher leve, moderna e altiva
Morte foi confirmada neste domingo por sua fundação
Inácio Araujo, fsp, 28.12.2025
Alguém escreveu que, antes de BB, a mulher que tinha um amante era uma sem-vergonha. Depois de BB, é uma mulher liberada. A frase pode não ser de todo correta, mas não está longe da verdade. Brigitte Bardot, morta aos 91 anos, encarnou, desde os anos 1950, a imagem da mulher leve, moderna, de porte altivo, atrevida e tímida ao mesmo tempo, insinuante e de uma beleza sem afetações —mas sobretudo mulher livre para ser e fazer o que bem quisesse.
Sua morte foi confirmada neste domingo pela fundação que leva o nome da atriz.
Essa imagem se torna famosa em todo o mundo, paradoxalmente, não por causa da França, mas pelos Estados Unidos, já que "E Deus Criou a Mulher", de 1956, fracassou em seu lançamento na França e foi massacrado pela crítica. Quem se salvou foram os cineastas Claude Chabrol, François Truffaut e Jean-Luc Godard, que de imediato viram no filme o surgimento de uma França moderna e, em Bardot, o símbolo da nova mulher francesa do pós-Guerra.
Resultado — Roger Vadim, autor do filme e então marido de Bardot, relançou a obra nos Estados Unidos, onde o sucesso foi grande o bastante para reverter o fracasso original, se espalhar pelo mundo, fazer dela um "sex symbol" absoluto de sua era e, de quebra, consagrar a frase publicitária "Deus criou a mulher, e o diabo inventou BB". Com efeito, o filme hoje está um tanto ultrapassado —ainda assim, a cena em que Bardot dança em cima de uma mesa ainda é memorável.
Imagens da atriz Brigitte Bardot
Na verdade, sua vida na arte começa pelo balé. Filha de um industrial de família tradicional e católica de Paris, nascida em setembro de 1934, começou a dançar aos oito anos. Aos 15, ela se tornou capa da revista Elle e chamou atenção do cineasta Marc Allegret.
Duas coisas ocorreram nesse momento, no entanto. A primeira foi cruzar com Roger Vadim, então com 21 anos, encontro em que ambos se apaixonaram de imediato. A segunda foi o drama familiar que viveu, já que o pai não queria ver a filha de modo algum no cinema. Bardot foi salva pelos argumentos do avô que a defendeu —"se tiver de ser puta, essa menina vai ser com cinema ou sem, se ela não tiver de ser puta, não é o cinema que a vai mudar".
E lá foi ela. Em dezembro de 1952, chegando aos 18 anos, Bardot se casou com Vadim, então com 24. O convite de Allegret primeiro não deu em nada, mas Bardot começou a conseguir papéis numa série de filmes, por vezes significativos, como "Se Versalhes Falasse", de Sacha Guitry, de 1954, "As Grandes Manobras", de 1955, de René Clair —e ainda aquele com o título sugestivo de "Desfolhando a Margarida".
A celebridade que chegou com "E Deus Criou a Mulher" foi instantânea e basicamente mundial. Ainda nos anos 1950, Kirk Douglas, fascinado por ela, queria levar a atriz para os Estados Unidos —sua mulher não deixou. Um Bob Dylan ainda adolescente dedicou uma canção a ela.
Em 1960, Jorge Veiga lançou a marchinha de Carnaval, escrita por Miguel Gustavo, que começava assim —"Brigitte Bardot, Bardot/ Brigitte beijou, beijou./ Lá dentro do cinema todo mundo se afobou". E seguia indagando "BB, BB, BB/ Por que é que todo mundo/ Olha tanto pra você?".
Brigitte Bardot (original) - Jorge Veiga
Nem sempre foi um mar de alegria. Na comédia "Babette Vai à Guerra", de 1959, obra de Christian Jaque, ela passa de sedutora fatal a garota inocente, o que, francamente, não chega a ser uma grande mudança. Ela era sedutora de um modo ou de outro.
Em "A Verdade", de 1960, ela se embrenha pelo drama penitenciário. Pior — foi dirigida pelo brutal Henri-Georges Clouzot, que por alguma razão obscura o establishment cinematográfico francês da época tinha como o melhor diretor do mundo.
O mais sádico, talvez. Antes de rodar uma cena dramática, BB teve a má ideia de sorrir. Furioso, Clouzot se levantou e pisou no pé da atriz com o salto de seu sapato. Ela chorou de dor, enquanto o diretor berrava "eu não preciso de amadores no meu set". Daí por diante, ele passou a motivar o choro na atriz dizendo a ela, baixinho, as piores coisas a propósito de sua vida pessoal.
O método pode ter sido estúpido, mas, por uma vez, trouxe a crítica para o lado da atriz. O filme foi para o Festival de Veneza, na Itália. As multidões se aglomeravam para ver Bardot. Um avião desenhou no céu as iniciais BB.
Com Louis Malle, faz "Vida Privada", de 1961, com ela como atriz e personagem. Vida privada era o que BB menos tinha a essa altura dos acontecimentos. Quando rodava uma cena na Suíça, com Marcello Mastroianni, foi recebida a ovos, tomatadas e insultos vários, por suíços que ordenavam a ela de fazer suas sujeiras lá onde nasceu.
Malle gostou da ideia e incluiu uma cena em que uma "concierge" — na França, com frequência, um misto de zeladora, delatora e fiscal de costumes — ou faxineira a agride com palavras nada gentis. "Estou cheia de ver sua cara em toda parte. Você não vai deixar em paz esses pobres rapazes? Mas quem é você, afinal? Uma cadela? Ganha milhões para se mostrar pelada." Por aí vai.
Como nem só de ser ofendida BB vivia, em 1960 mesmo ingeriu barbitúricos e cortou os pulsos no dia do seu aniversário. Estava na Côte d’Azur e foi encontrada perto de uma propriedade rural em Menton. A sua fama dificultava até mesmo a chegada aos hospitais, já que a ambulância em que se encontrava era constantemente impedida de prosseguir pelos fotógrafos que a cercavam.
A mesma fama, o mesmo carisma permitiam certas liberdades a ela. À pergunta "o que você usa para dormir?", que Marilyn Monroe respondeu dizendo "Chanel Nº 5", Bardot responderia de modo mais atrevido —"os braços do meu amante". A resposta de Marilyn Monroe de certa forma continha a solidão que a frequentava. Outro era o caminho de BB, o amor a todo preço.
Nessa altura, sua vida pessoal já era uma bagunça. Ainda no set de "E Deus Criou a Mulher", ela se apaixonou por Jean-Louis Trintignant, que por sua vez largou a mulher, Stéphane Audran — que futuramente se casaria com Claude Chabrol.
Tempos depois, quando ela engatou um romance com o cantor Gilbert Bécaud, Trintignant a abandonou. Ela trocaria ainda Bécaud por Sacha Distel, outro cantor da época, antes de casar com o ator Jacques Charrier, em 1959, de quem engravidou. Ela não queria o filho. Disse que os nove meses de espera foram massacrantes.
Para o parto, feito em seu apartamento, foi montado uma espécie de bunker, para que a imprensa não tivesse acesso ao evento. Com tudo isso, Bardot detestou ter o filho, Nicolas-Jacques, que foi criado pela família de Charrier. Discreto, hoje ele vive na Noruega, casado com a modelo Anne-Line Bjerkan, com que teve as filhas Thea Charrier e Anna Charrier. Sobre as bisnetas, Bardot chegou a dizer que o contato era difícil, já que elas não falavam francês.
Em 1962, ela se separou do depressivo Charrier e se ligou a outro ator, Samy Frey. Em 1964, veio passar o verão no Brasil, já em companhia do namorado Bob Zagury, basicamente um playboy, que a levou até Búzios, no Rio de Janeiro, onde ela ganharia uma estátua em tamanho natural.
Já havia aí confusão para mais de uma vida, mas ela logo se casou com outro ricaço, Gunther Sachs, também fotógrafo, em 1966, o que não a impediu de ter um tórrido caso com Serge Gainsbourg, que compôs para ela a célebre canção "Je T’Aime Moi non Plus". Eles a gravam em conjunto, mas, por respeito a Sachs, BB pediu a Gainsbourg que não divulgue a gravação. A música só vai aparecer em 1969, com Jane Birkin como parceira de Gainsbourg —no mesmo ano, aliás, em que o casamento de BB com Sachs chegou ao fim.
Brigitte Bardot no Brasil
Louis Malle, que com "Vida Privada" desvendaria uma existência devassada por todos os lados, parecia se dar bem com ela, tanto que a chamou para o faroeste-paródia "Viva Maria!", em companhia de Jeanne Moreau —encontro do mito "sex symbol" com o mito Moreau, então a principal atriz francesa. Depois veio o belo "William Wilson", episódio das "Histórias Extraordinárias", baseadas em contos de Edgar Allan Poe.
Se algo ficará para sempre, no entanto, é a parceria com Jean-Luc Godard. Ela não era a preferência de Godard para "O Desprezo". Foi imposta pelo produtor americano do filme, Joseph Levine. Também não a queria filmar nua. Foi imposição de outro produtor, Carlo Ponti, para quem, se estava pagando para ter BB, ela devia aparecer nua em algum momento.
Sabemos como Godard resolveu o problema — pondo Bardot nua na cama junto de Michel Piccoli, de bruços, em plano médio, enquanto pergunta ao parceiro sobre as partes do seu corpo de que ele gosta — de todas.
O que há de mais célebre no filme não é nenhuma cena. É a aposta que fez com Godard. Ele não suportava a altura do penteado da atriz. Ela adorava. Ele então propôs que andaria de ponta-cabeça, com as mãos no chão. E a cada passo que avançasse sem parar ela abaixaria um centímetro da célebre cabeleira. Ele conseguiu dar 11 passos. Ela pagou a aposta
O resultado é magnífico, mas BB percebeu todo o tempo que seu papel não era outro senão o de Anna Karina, e que Godard estava, a rigor, filmando o fim de seu casamento com sua então mulher. Não reclamou, ao contrário. Tentou fazer como Karina faria, não se queixou nem mesmo da peruca de cabelos escuros que Godard destinou a ela.
Não foi nem o início nem o final de sua carreira. Mas é preciso reconhecer que daí por diante ela foi quase sempre mais célebre pelos filmes que rejeitou do que pelos que fez. Recusou, por exemplo, estar em "007 - A Serviço Secreto de Sua Majestade", de 1969, dizendo "adoro os filmes de James Bond, desde que sem mim".
Recusou também "O Estrangeiro", de 1967, dizendo que Luchino Visconti mais Albert Camus era "intelectual demais" para ela. Mas também preferiu ficar fora dos dois musicais de Jacques Demy para os quais foi convidada, "Os Guarda-Chuvas do Amor", de 1964, e "Duas Garotas Românticas", de 1967. Não era por nada que se dizia que BB sabotava a própria carreira. Também não quis fazer "Crown, O Magnífico", de 1968, grande sucesso de Norman Jewison com Steve McQueen e Faye Dunnaway, que ficou com o seu papel.
Com efeito, fez o frouxo "As Petroleiras", de 1971, de Christian-Jaque, apenas pelo prazer de fazer dupla com Claudia Cardinale; topou o faroeste "Shalako", de 1968, filme de Edward Dmytryk, nulidade em que trabalhava com Sean Connery.
Em contrapartida, quis ardorosamente filmar "A Sereia do Mississipi", desde que François Truffaut anunciou o projeto. Mas Truffaut a preteriu em favor de Catherine Deneuve. Bardot ficou furiosa e festejou quando soube que o filme era um fracasso.
Estrela maior não só cinema francês como da França propriamente dita, em 1970 ela se tornou a primeira atriz a servir de modelo para um busto de Marianne, a figura feminina símbolo da Revolução Francesa.
Em 1973, decidiu encerrar sua carreira no cinema, com 45 filmes rodados. Prosseguiu com a música até os anos 1980, tendo gravado cerca de 70 canções, inclusive o "Je T’Aime Moi non Plus", que autorizou o autor a divulgar também nos anos 1980, quando já era sucesso na parceria dele com Jane Birkin.
Bardot então já se dedicava havia muito tempo à proteção da vida animal e se dispôs a escrever à Organização das Nações Unidos em defesa do vegetarianismo. Ela depois intensificaria seus esforços nessa direção. Mais de uma vez disse que prezava os animais muito mais do que os homens.
Só em 1992, já bem longe do cinema e até da musica, ela se casou novamente, agora com o industrial Bernard d’Ormale, conselheiro político de Jean-Marie Le Pen. A adesão à extrema direita que se seguiu detonou outra e não menos escandalosa existência para BB. Conservadora, ela sempre foi e disse que era. Agora, no entanto, dizia se opor ao islamismo devido à maneira como sacrificavam animais.
Mais polêmica —seu voto em Marine Le Pen para a presidência da França. E mais um pouco —cinco condenações por ódio racial. Ela nunca as aceitou, disse que jamais incitou alguém a odiar em especial muçulmanos. No entanto, estão longe de ser gentis certas declarações contra a população muçulmana, como as de que "nos destrói, destrói nosso país, impondo seus hábitos a nós".
Também não foi propriamente gentil com os imigrantes ilegais na Europa —"clandestinos ou mendigos profanam e tomam de assalto nossas igrejas para as transformar em chiqueiros humanos".
Em setembro deste ano, ela lançou o livro "Mon BBcédaire", no qual ela dá sua opinião, muitas vezes incisiva, sobre o mundo. "A liberdade é ser você mesmo, mesmo quando incomoda", escreveu já no prólogo.
Da "A" de abandono ao "Z" de zoológico, a atriz declara seu amor por Jean-Paul Belmondo, um "cara formidável, ator genial, engraçado e corajoso", mas opina que Alain Delon "carrega em si o melhor e o pior". Também menciona a famosa cidade de Saint-Tropez, onde comprou uma casa, "La Madrague", e lamenta que este "lindo pequeno vilarejo de pescadores" tenha se tornado "uma cidade de milionários onde já não se reconhece nem um pouco seu charme".
O distanciamento também dos franceses não foi tão menos radical. Não por acaso escreveu em seu livro "Larmes de Combat", de 2018, que não fazia parte da espécie humana. "Não quero fazer parte. Eu me sinto diferente, quase anormal." E talvez por se sentir diferente, achou, quando tratou um câncer no seio, que o melhor seria não dar importância à doença. Ideia que Jane Birkin conseguiu tirar a tempo de sua cabeça.
Nesse seu livro-testamento, ela credita à luta pelos direitos dos animais a força para ter se livrado das luzes da ribalta. Verdade seja dita, de um modo ou de outro, essas luzes nunca a abandonaram — BB pode ter tido seus defeitos, mas foi uma estrela do começo ao fim.
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2. Sal de Índio
VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DO "SAL DE ÍNDIO" ?
O "Sal de Índio" é um produto tradicional da cultura Xinguana, feito à base de folhas de aguapé. Diferentemente do sal industrial, de sódio, o “sal de índio” é composto de potássio, que não tem efeito deletério para a pressão sanguínea.
Todas as etnias xinguanas produzem o seu sal vegetal, mas os índios awetis têm o mais desejado; o condimento é uma de suas contribuições para a troca de produtos, elemento organizador do sistema cultural xinguano.
O sal vegetal é feito a partir do processamento das folhas do aguapé, uma espécie aquática que prolifera na superfície das lagoas locais. A planta boia, com as folhas visíveis, e a raiz, submersa.
A produção do condimento é uma atividade feminina e leva vários dias. As mulheres entram na lagoa e tiram as folhas do aguapé que estão fora da água, sem comprometer as raízes. Isso ocorre apenas em algumas épocas do ano, para que as plantas se regenerem.
As folhas coletadas são postas ao sol para secar, em uma superfície que fica na margem da lagoa. Depois de alguns dias, já secas, elas são queimadas em uma fogueira. As cinzas resultantes são misturadas com água e levadas ao fogo em uma grande panela. Quando a água está praticamente seca, a panela é tirada do fogo para terminar a evaporação.
O resultado é um pó branco, usado para salgar o peixe já pronto, na hora de comer (não é adicionado ao processo de cozimento do alimento).
Além dos awetis, os produtores mais reconhecidos são os waujas e os mehinakos. O sal é trocado ritualmente durante a festa do Kuarup.
Nesta imagem de Sebastião Salgado vemos indígenas Wauras coletando os aguapés para fazer o sal.
Fonte: Sebastião Salgado na Amazônia - Folha de São Paulo.
Comentários
Renzo Bernacchi
Cada povo buscou formas de temperar e/ou conservar os alimentos com os ingredientes que existiam no local
Povos a beira mar desenvolveram o sal marinho, povos que habitavam em regiões de sal gema o usaram e estas nações citadas no post desenvolveram este sal de potássio São formas diferentes com vantagens e desvantagens o cloreto de sódio ( sal marinho) consumido em qtd pode afetar a pressão sanguínea O sal de índio por outro lado tem seus problemas tbm - pela presença de potássio pode provocar uma insuficiência renal, pode provocar uma contaminação por metais pesados já que o aguapé é uma planta que absorve metais pesados, e não possui iodo cuja ausência pode provocar o bócio
Edson Soriedem Pinto
Aguapé Belchior
... E o Aguapé lá na lagoa
Sobre a água, nada e deixa a borda
Da canoa perfumada
É a chaminé à toa
De uma fábrica montada
Sob a água que fabrica
Este ar puro da alvorada, da-da-da-da-da
Nada, nada, nada, nada, nada, nada aqui não
Acontece nada, não (nada)
Nada, nada, nada, nada, nada, nada
Nada absolutamente, nada
Norma Shoebher
Os pataxos da bahia usam este sal, é muito forte, mais não ha diferença no sabor com o sal de sodio...
Adelson Lopes
Comi quando estive por lá, não é salgado como o sal marinho até um pouco amargo, mas gostei demais, da um sabor especial aos peixes assados ou muqueados!
Vera Vetorasso
Aprendi com os Yawalapitis
Francisco Cerqueira
Aguapé em Portugal é uma mistura de vinho com água (mais água que vinho)era muito usual no século passado. Esta mistura era feita principalmente pelos caseiros dos terrenos os patrões bebiam o vinho bom e os caseiros bebiam esta mistura.
A História Esquecida, 27 de dezembro
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3. EDUARDO MOREIRA E O DIA EM QUE O CHAT GPT VERMELHOU!
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4. Atila Iamarino - vídeos
Inteligência Artificial vai destruir o futuro da educação
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5. Venezuela se liberta: Buques Russos quebram o controle dos EUA no Caribe | John Mearsheimer - vídeo
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6. A inteligência artificial pode significar a destruição do capitalismo como conhecemos hoje? - BBC News Brasil, vídeo
A curiosa linha do tempo da evolução da Inteligência Artificial
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7. A polêmica matéria do The New York Times “25 filmes, muitas estrelas, zero sucesso”
A polêmica matéria do The New York Times sobre “25 filmes, muitas estrelas, zero sucesso”, publicada em novembro, sinaliza uma ruptura do modelo clássico de Hollywood em que o star power garantia bilheteria: o fenômeno tem causas conjunturais e estruturais que afetam diretamente a lógica de consagração do Oscar, exigindo uma reavaliação das categorias, das estratégias de campanha e dos critérios de legitimidade simbólica.
Considere três vetores para interpretar o fenômeno — mercado de exibição (preços, formatos e oferta), mudança de consumo (streaming, janelas e hábitos) e política de premiações (composição da Academia, critérios e visibilidade). Pergunte-se se um filme depende apenas de nomes ou se articula universo narrativo, estratégia de lançamento e relevância cultural; avalie riscos de campanha e o custo de oportunidade de lançar fora de janelas favoráveis.
Análise do mercado e do desempenho recente
A lista de 25 títulos citada pelo jornal reúne filmes com elencos de alto perfil (como “Depois da Caçada”, com a Julia Roberts, que entrou na lista das maiores decepções de 2025) que, ainda assim, não alcançaram público suficiente para serem considerados sucessos comerciais. Esse padrão confirma que a presença de estrelas deixou de ser fator determinante de atração massiva; campanhas e críticas positivas não têm sido suficientes para reverter salas vazias em receitas robustas.
Ao mesmo tempo, o mercado exibidor mostra polarização: grandes franquias e blockbusters continuam a dominar receitas, enquanto lançamentos médios e autorais enfrentam dificuldades crescentes para ocupar salas e janelas de exibição privilegiadas.
Preços das salas e experiência de exibição
O custo de ir ao cinema tornou-se um fator de fricção para a decisão do público. Em 2025 a média do ingresso nos Estados Unidos situou se em torno de US$ 16,08 (em São Paulo, o ingresso inteiro em salas ‘comuns’ custa uma média de R$ 30,00 a R$ 50,00, enquanto, na sala VIP Lounge do Cinépolis do JK Iguatemi custa R$ 198,00), com variações regionais e impacto crescente de formatos premium que elevam o preço médio por sessão.
Esse contexto torna a ida ao cinema uma escolha comparativa: o espectador pondera custo, conforto e oferta de conteúdo em casa, o que penaliza filmes que não oferecem diferencial experiencial claro.
Transformações no audiovisual e janelas de lançamento
A consolidação do streaming e a expansão de modelos AVOD e FAST alteraram a economia de atenção. Relatórios setoriais apontam crescimento contínuo do consumo em plataformas digitais e maior penetração de tiers com publicidade, reduzindo a dependência do público em deslocar se até salas para obras não franquia. Estudos acadêmicos mostram ainda que estratégias de liberação precoce em canais secundários reduzem a presença em salas e a receita teatral, pressionando o ciclo de vida comercial dos filmes tradicionais.
A (falta de) lógica do Oscar
Faz décadas que a Academia enfrenta um cenário em que prestígio crítico e visibilidade pública podem divergir mais do que antes. Filmes estrelados que fracassam comercialmente perdem tração de campanha e visibilidade entre eleitores e público, enquanto produções de streaming ou autorais com forte presença crítica conseguem ocupar o espaço simbólico.
Isso deveria exigir que o Oscar reavalie critérios de legitimidade, amplie atenção a formatos híbridos e considere o impacto das janelas e da acessibilidade global na construção de consenso entre votantes. Porém, não tenho certeza que eles estão preocupados com isso.
Vencedores do Oscar de Melhor Filme (2000–2025) — orçamento estimado / bilheteria mundial estimada
2000 — Gladiator — US$ 103 milhões / US$ 457 milhões
2001 — Uma Mente Brilhante — US$ 58 milhões / US$ 313 milhões
2002 — Chicago — US$ 45 milhões / US$ 306 milhões
2003 — O Senhor dos Anéis: O Retorno do Rei — US$ 94 milhões / US$ 1,142 bilhão
2004 — Menina de Ouro — US$ 30 milhões / US$ 216 milhões
2005 — Crash: No Limite — US$ 6–8 milhões / US$ 98 milhões
2006 — Os Infiltrados — US$ 90 milhões / US$ 291 milhões
2007 — Onde os Fracos Não Têm Vez — US$ 25 milhões / US$ 171 milhões
2008 — Quem Quer Ser um Milionário? — US$ 15 milhões / US$ 378 milhões
2009 — Guerra ao Terror — US$ 15–20 milhões / US$ 49 milhões
2010 — O Discurso do Rei — US$ 15 milhões / US$ 414 milhões
2011 — O Artista — US$ 15 milhões / US$ 133 milhões
2012 — Argo — US$ 44–45 milhões / US$ 232 milhões
2013 — 12 Anos de Escravidão — US$ 20 milhões / US$ 187 milhões
2014 — Birdman — US$ 18 milhões / US$ 103 milhões
2015 — Spotlight: Segredos Revelados — US$ 20 milhões / US$ 98 milhões
2016 — Moonlight: Sob a Luz do Luar — US$ 1.5–4 milhões / US$ 65 milhões
2017 — A Forma da Água — US$ 19–20 milhões / US$ 195 milhões
2018 — Green Book: O Guia — US$ 23 milhões / US$ 321 milhões
2019 — Parasita — US$ 11 milhões / US$ 258 milhões
2020 — Nomadland — US$ 5–10 milhões / US$ 39 milhões
2021 — CODA – No Ritmo do Coração — US$ 10–12 milhões / Receita teatral limitada; grande parte do valor via licenciamento/streaming
2022 — Tudo em Todo Lugar Ao Mesmo Tempo — US$ 14–15 milhões / US$ 141 milhões
2023 — Oppenheimer — US$ 100 milhões / US$ 950 milhões
2024 — Anora — US$ 6 m i l h õ e s / US$ 57 milhões.
Fontes: The Hollywood Reporter, CableTV.com, The Numbers, Comscore e Springer
Fim dos filmes médios no cinema - PH
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8. Philip Glass & Bach
Philip Glass Opening | The Union Guitar Trio
Bach Prelude in C Minor "pour le luth" BWV 999; David Tayler
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9. Bambico
01 Seleção De Pagode Número 01 - Bambico - Função De Violeiro (1979)
Brincando com a Viola - **Álbum Completo** - https://www.bing.com/videos/search?
A Função da Viola: o disco de Bambico que mudou tudo (1979)
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10. ANDRÉ BARCINSKI | BENJA ME MUCHO vídeo
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11. Marlene Dietrich
— Sou impotente.
Remarque confessou isso a Marlene Dietrich poucas horas após se conhecerem.
— Oh, isso é maravilhoso! Podemos simplesmente conversar, dormir, amar um ao outro, e tudo será tão agradável e aconchegante!
A diva do cinema não gostava de sexo. Ela adorava ser adorada. Por isso, aceitou o papel de musa com prazer.
No entanto, após alguns meses do intenso romance, não havia mais sinal do problema do escritor. A carreira de Dietrich estava em declínio na época, e ela se refugiou na adoração que seu novo amante lhe proporcionava.
No auge do relacionamento com Remarque, Marlene viaja com sua "família" para um badalado resort francês.
Ela chamava de família um certo círculo de pessoas próximas. Eram eles: sua filha Maria, o marido Rudolf Sieber, a amante do marido, a bailarina russa Tamara Matul, e o amante de Marlene, o diretor Von Sternberg, com sua esposa. Agora, Remarque também fazia parte desse grupo
O grupo se instala para passar o verão em Antibes.
Enquanto Marlene se deleita na praia, banhada pela adoração de sua comitiva, Remarque passa horas em um quarto escuro escrevendo um romance.
"A bela, excitante e perdida, com sobrancelhas erguidas e um rosto cuja essência era sua abertura" — a imagem de Joan, a protagonista de "Arco do Triunfo", foi totalmente inspirada em Marlene.
No resort, Dietrich faz "amizade" com o embaixador americano Joseph Kennedy, pai do futuro presidente, e eles passam longos períodos juntos no vestiário da praia.
Ela também conhece uma milionária lésbica, a quem chama de Joe Pirata, e passa noites inteiras a bordo de seu iate
Remarque enlouquece de ciúmes, e seu personagem Ravic fica cada vez mais desapontado com Joan.
O escritor sofre a cada novo romance de Marlene. Ele pede várias vezes que ela se case com ele. A uma dessas propostas, a atriz responde: "Acabei de fazer um aborto do James Stewart."
Ele a odiava e ardia de paixão.
Ele escrevia cartas cheias de sentimentos para ela, e ela as lia para seus amantes.
Ele a amava, e ela amava ser adorada.
Marlene sobreviveria a Remarque por 22 anos, dos quais passaria 13 como "eremita" em seu apartamento em Paris. Uma parede de seu quarto seria coberta com seus próprios retratos, e outra com fotos de seus amantes. Um dia, olhando para uma foto de Remarque, ela diria: "Meu Deus, como eu amei esse homem!"
#MarleneDietrich #Remarque #AmorEterno
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12. Detalhes de uma delação inflamável
Beto Louco, investigado em fraude dos combustíveis, quer relatar à PGR pagamentos pedidos a Alcolumbre para bancar show de Roberto Carlos – uma parte dos milhões que diz já ter desembolsado para o senador
Breno Pires, de Brasília, João Batista Jr, do Rio de Janeiro, e Arthur Guimarães, de São Paulo13 dez 2025
OAmapá celebrou os últimos dias de 2024 com uma programação que incluiu shows de astros da música como João Gomes, Alceu Valença, Pablo do Arrocha, Alok e a maior estrela, Roberto Carlos. Em um texto de divulgação, o governo do Estado celebrou o próprio governador, Clécio Luís, do Solidariedade, e o senador Davi Alcolumbre (União-AP). Dizia: “O trabalho sério e com responsabilidade de divulgação do Amapá feito pelo governador Clécio, com apoio do senador Davi, vem chamando a atenção da iniciativa privada e garantindo investidores para os eventos”. Não há detalhes de como o parlamentar, que não tem nenhum cargo no governo do Amapá, participou dos preparativos.
Uma versão muito menos congratulatória está detalhada em uma proposta de colaboração premiada apresentada à Procuradoria-Geral da República. Os candidatos a delator são dois investigados em fraudes bilionárias no setor de combustíveis: o empresário Roberto Leme — conhecido como Beto Louco, controlador da Copape, fabricante de gasolina — e seu sócio Mohamad Hussein Mourad, o “Primo”. A dupla propõe revelar como abasteceu boa parte do panteão do Congresso Nacional com dezenas de milhões de reais em troca de influência, entre 2021 e 2025, com destaque para Davi Alcolumbre, presidente do Senado, e Antonio Rueda, presidente do União Brasil.
No episódio dos shows em Macapá, Beto Louco conta que desembolsou 2,5 milhões de reais, a pedido de Alcolumbre, para bancar o show de Roberto Carlos. A piauí apurou que a proposta de delação diz que a tratativa foi realizada no dia 20 de dezembro de 2024, em reunião presencial no gabinete do senador, em Brasília. O dinheiro, afirma a proposta de delação, era a forma encontrada por Beto Louco para tentar reverter uma decisão da Agência Nacional do Petróleo (ANP) que havia proibido a Copape de produzir combustível, sua principal atividade. O empresário reclamou que o fechamento fora resultado de “perseguição regulatória” e pediu ajuda.
Na conversa, Beto Louco lembrou que o senador tinha meios de pressionar por uma reversão. Afinal, naquele mês de dezembro, o governo Lula havia indicado dois nomes para integrar a diretoria da ANP. E os nomes seriam submetidos a uma sabatina no Senado, momento em que Alcolumbre podia exercer sua influência.
De acordo com o relato entregue à PGR, Alcolumbre sinalizou disposição para ajudar. Em dado momento da reunião, ainda segundo o documento, o senador mudou de assunto e contou que ele próprio estava com um problemão de outra natureza. Com a desistência de um patrocinador, ficou faltando dinheiro bancar os custos do show de Roberto Carlos, já anunciado pelo governo amapaense. Faltavam precisamente 2,5 milhões de reais.
Segundo a proposta de delação, Beto Louco concordou em pagar o valor, e o senador pediu que a transferência fosse feita por intermédio de um contato chamado “Cleverson”.
Segundo os documentos apresentados à PGR, o intermediário enviou os dados de duas contas bancárias para o depósito de duas parcelas, cada uma no valor de 1,25 milhão. Uma conta era da CINQ Capital Instituição de Pagamentos, no Banco do Brasil. A outra era da QIX Transportes Logística Ltda, na Sicredi.
Conforme o combinado, as duas transferências foram realizadas por uma empresa da dupla na véspera do show do Rei, que aconteceu no dia 28 de dezembro. A piauí teve acesso ao número de contato de “Cleverson”. O DDD é do Ceará e o dono do número chama-se Kleryston Pontes Silveira, um empresário do ramo musical de Fortaleza, que trabalha para nomes como Xand Avião, Zé Vaqueiro, Nattan e Mari Fernandez. Roberto Carlos não está entre seus agenciados.
Ainda segundo o material de posse da PGR, Beto Louco ligou para Alcolumbre para avisar que os depósitos haviam sido feitos. A ligação estava falhando, mas logo o senador respondeu com uma mensagem: “Tamo junto sempre!”. Em seguida, o senador emendou uma outra mensagem com o desenho de um gesto de prece seguido de um “Muito obrigado!”.
Procurado pela piauí, Alcolumbre respondeu por meio de sua assessoria que “não mantém relação comercial ou empresarial com os citados”. Sua nota diz o seguinte:
“As empresas mencionadas [refere-se à QINC e à QIX] nunca patrocinaram o Réveillon do Amapá nem qualquer evento articulado pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre. O senador não mantém relação comercial ou empresarial com os citados.
É fato público que o presidente Davi sempre buscou, de forma institucional, correta e transparente, apoio de empresas para iniciativas que fortalecem a cultura e geram empregos no Amapá — como a Expofeira, o Carnaval e o Réveillon. Em 2024, o senador solicitou a várias empresas e instituições apoio para fomentar o evento, entre elas a Febraban e o Banco do Brasil.
Como senador do Amapá, Davi Alcolumbre atua diariamente em todas as pautas estratégicas para o estado. Recebe dezenas de pessoas por dia em seus compromissos, sempre dentro da legalidade, e continuará fazendo isso porque o desenvolvimento do Amapá é a sua bandeira.
O presidente do Senado repudia de forma categórica qualquer tentativa de associá-lo a atos ilícitos, denuncia a distorção dos fatos e reafirma seu compromisso inegociável com a lei e com a verdade.”
A nota deixou sem resposta parte das perguntas enviadas pela piauí. O senador não confirmou nem negou que houve uma reunião em seu gabinete no dia 20 de dezembro de 2024. Tampouco informa se o senador solicitou ou não apoio financeiro aos dois empresários sob investigação. Não respondeu se conhece os empresários, nem as circunstâncias que os conheceu. Não fala sobre “Cleverson”, nem sobre Kleryston Pontes Silveira. Por fim, nada disse sobre as mensagens “Tamo junto sempre!” e “Muito obrigado!”.
A defesa de Beto Louco e de Mohamad Mourad afirma que “não se manifestará a respeito da existência ou não de quaisquer tratativas de acordo, sobretudo porque, se existirem, devem tramitar sob o mais absoluto sigilo”. Na mesma resposta, nega as suspeitas de investigadores de que os dois empresários têm ligação com o PCC. Os advogados dos empresários nas negociações com a PGR são diferentes dos advogados que representam eles nas ações penais.
Procurado pela piauí, o empresário Kleryston Pontes Silveira diz que conhece o senador Alcolumbre apenas de forma profissional: “Dos eventos que meus artistas já fizeram no Amapá.” Sobre o show de Roberto Carlos, ele nega ter tido qualquer ingerência. Indagado se conversou com Beto Louco e se encaminhou a ele seus dados bancários, conforme consta em documentos enviados à PGR, ele não respondeu. No festival de Réveillon de 2026, o cantor Nattan, agenciado por ele, está confirmado para cantar em Macapá.
Os dois nomes indicados pelo governo para integrar a ANP foram sabatinados e confirmados: Artur Watt Neto, indicado pelo senador Otto Alencar, do PSD-BA, e Pietro Mendes, indicado pelo ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, do PSD-MG.
De acordo com a proposta de delação de Beto Louco, o escambo entre favores e propinas em Brasília tornou-se mais frequente em 2024, principalmente depois do fim de julho, quando a ANP proibiu a Copape de atuar na produção de combustível. Para tentar reverter a decisão da ANP, Beto Louco e Mohamad Mourad passaram a fazer viagens à capital federal, acionando contatos antigos e novos. Em troca, eles afirmam ter bancado demandas pessoais e despesas de autoridades do Congresso. Gastaram, por exemplo, 150 mil reais em canetas de Mounjaro, medicamento para controle de diabetes e perda de peso, entregues a Alcolumbre dias depois da decisão da ANP, conforme revelou o portal UOL.
Eles também afirmam que, ao longo de quatro anos, repassaram dezenas de milhões de reais a políticos em troca de interferências diversas em benefício de seus negócios. Na proposta de delação, segundo a piauí apurou, eles dizem que uma parte dos pagamentos se deu em dinheiro vivo, retirado em um escritório em São Paulo, onde intermediários de senadores, deputados e dirigentes partidários apareciam para buscar malas de dinheiro. Outra parte saiu por meio de empresas ligadas ao Copape (Antonio Rueda não respondeu às perguntas enviadas pela piauí).
Beto Louco e Mohamad Mourad procuraram o Ministério Público Federal em setembro, depois que viraram alvos de duas ruidosas investigações criminais do país — a Operação Carbono Oculto, do Ministério Público de São Paulo, e a Operação Tank, da Polícia Federal no Paraná, ambas deflagradas no mesmo dia 28 de agosto de 2025. As investigações desmantelaram esquemas de adulteração de combustíveis e lavagem de dinheiro envolvendo escritórios e fundos da Faria Lima, o centro financeiro de São Paulo e do país. A dupla fugiu do país na véspera das operações policiais. A fuga aconteceu exatamente oito meses depois dos festejos em Macapá.
Semanas depois, a proposta de colaboração premiada foi rejeitada pela PGR. Procurada pela piauí, a procuradoria disse que “não comenta eventuais discussões ou confirma a existência de tratativas”, em razão do sigilo imposto pela lei que trata de colaborações premiadas. Em conversas reservadas, interlocutores do procurador-geral da República, Paulo Gonet, contam que o material entregue pela Copape não apresentou “materialidade suficiente”.
As delações viraram mania nacional durante a Lava Jato e, desde então, exibiram tanto suas qualidades como seus defeitos. A qualidade fundamental é que um delator – sempre um envolvido diretamente no esquema que denuncia – é uma das formas mais eficientes para se obter informações internas de uma organização criminosa. O defeito é que, em busca dos benefícios da delação, nem sempre o denunciante conta a verdade, ou conta tudo. Para isso, no entanto, existe a investigação policial, cujo objetivo é exatamente comprovar (ou não) os crimes denunciados pelo delator.
Há outro problema que, no entanto, não é inerente às delações. Trata-se da divulgação do conteúdo de uma delação como se fosse expressão da verdade. E há casos em que, depois de submetida ao crivo das autoridades, a delação não se mostra tão comprometedora quanto parecia à primeira vista. Ou seja: crimes são denunciados, criam um ambiente de punitivismo generalizado e, depois, não são comprovados. Ou pior: comprova-se que o delator exagerou na denúncia. Neste sentido, o cuidado da PGR em aceitar a delação de Beto Louco é bem-vindo. Será uma lástima, porém, se a delação for rejeitada mesmo tendo elementos consistentes e passíveis de apuração.
Depois da rejeição da proposta de delação pela PGR, Beto Louco e Mohamad Mourad enviaram informações complementares à sugestão inicial, e ainda aguardam uma nova análise da procuradoria. Cabe ao procurador-geral Paulo Gonet decidir se quer investigar o que os empresários estão dispostos a revelar, em meio à forte pressão política para abafar o caso.
Gonet foi indicado pelo presidente Lula para um segundo mandato como procurador-geral, no dia 27 de agosto, um dia antes da deflagração das operações Carbono Oculto e Tank. Alcolumbre segurou a sabatina e a votação para validar o nome de Gonet no Senado até o dia 12 de novembro, quando, de acordo com as informações obtidas pela piauí, a PGR já havia rejeitado a primeira proposta de colaboração premiada que o tinha como alvo. A aprovação do nome de Gonet foi a mais apertada desde a redemocratização, com placar de 26 votos contrários e 45 favoráveis, apenas quatro a mais que o necessário (o mínimo são 41).
A proposta de delação surge num contexto institucional delicado. Cabe ao presidente do Senado — hoje, Davi Alcolumbre — decidir sobre a admissibilidade de pedidos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal, algo que Alcolumbre sempre se recusou a fazer. O tema ganhou nova tensão dias atrás, quando o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar restringindo à PGR a legitimidade para apresentar pedidos desse tipo, sob o argumento de evitar o uso político do instrumento. A decisão veio no momento em que diferentes operações — Carbono Oculto, Refit e a investigação sobre o Banco Master — colocaram integrantes da cúpula do Congresso sob pressão, além das investigações sobre emendas parlamentares. Não há indicação de relação direta entre esses episódios, mas o acúmulo de frentes sensíveis coincide com a cautela na PGR sobre a delação de Beto Louco e Mohamad Primo.
A lei não obriga o Ministério Público a aceitar qualquer colaboração. O órgão pode recusar acordos considerados irrelevantes, frágeis ou repetitivos. Nos últimos anos, o STF endureceu a fiscalização sobre delações “vazias” e benefícios excessivos.
Procurado pela piauí, o governo do Estado diz que “o Réveillon do Amapá foi realizado pelo Instituto Acender [Iseap] e contou com patrocínio da Cervejaria Império, do Banco do Brasil e da Febraban, além do apoio do Sesc (Fecomércio/Senac) e do Ministério do Turismo. Os patrocinadores foram responsáveis pela contratação, negociação e pagamento dos cachês dos artistas”.
A resposta reforça que os cachês de artistas não estão contemplados nos 3,46 milhões de reais do orçamento do evento (cerca de metade dos cofres estaduais e a outra de emendas parlamentares). O governo do Estado não informou o valor total dos pagamentos dos artistas, quais foram os pagantes e quem cuidou das contratações.
Os shows de João Gomes e Alok costumam custar na casa de 1 milhão de reais cada (fora os custos indiretos de estrutura). O de Roberto Carlos varia entre entre 1,5 e 2 milhões de reais.
Procurado, o empresário do Rei informou desconhecer que Davi Alcolumbre tenha intermediado o pagamento de cachês e alegou que, por razões contratuais, não iria informar o valor cobrado para a realização do show em Macapá.
Em sua nota à piauí, o governo defende que o “Réveillon 2025 movimentou 211 milhões de reais na economia local, com a atração de 32 mil turistas, sendo 13.959 viajantes internacionais. A ocupação da rede hoteleira no período foi de 97%”.
O mesmo comunicado oficial saiu em defesa de Alcolumbre. “O senador Davi Alcolumbre é um dos principais promotores do desenvolvimento do Estado e, de forma contínua, um dos incentivadores dos eventos que integram o calendário turístico do Amapá, por meio de apoio institucional”, afirma, em resposta ao que dizem Beto Louco e Mourad, que consideram as alegadas trocas de favores e milhões coisas muito grandes para esquecer.
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13. Filme de Jafar Panahi se vinga do fanatismo religioso e político
'Foi Apenas um Acidente' ganhou a Palma de Ouro em Cannes
Longa do diretor iraniano é claustrofóbico, exasperante, difícil de ver
Mario Sergio Conti, fsp, 12.12.2025
O islã tem uma relação tensa com figuras humanas. Alguns muçulmanos dizem que elas levam à idolatria, um pecado capital. Outros, que criar gente é atributo de Alá, não de artistas. E há quem fale que, ao se pôr imagens abstratas no lugar de corpos, a religião islâmica evidencia o predomínio do espírito sobre a carne.
É por isso que as mesquitas, ao contrário das igrejas católicas, não mostram indivíduos, divindades, mesmo Maomé. A decoração tem padrões geométricos: grafismos, arabescos, mosaicos, caligrafias de versículos do Alcorão. E o cinema, a arte das imagens em movimento, como fica?
Cinemas foram depredados na Revolução Iraniana de 1979 por veicularem valores ocidentais, portanto perniciosos. O clero xiita tomou o poder e impôs um código puritano; proibiu nudez, adultério, bandidos empáticos, tráfico, brutalidade, mulheres sem véu, críticas ao regime.
Aí deu-se o inesperado, o inimaginável: o cinema iraniano floresceu, virou o xodó de festivais e cinemaníacos mundo afora e, apesar do tacão da teocracia, ficou popular no Irã.
São coisas que acontecem sem que se saiba direito por quê. Na Toscana do século 14, houve Leonardo e Michelângelo. Na Rússia do 19, Tolstói e Dostoiévski. No Irã do fim do 20 e início do 21, Abbas Kiarostami e Jafar Panahi. As três duplas não têm nada a ver entre si — salvo a irrupção enigmática de um modo de ver a vida, de uma arte inventiva, intensa.
No caso do cinema persa, há uma explicação de fundo formal. Seus filmes são produto de um embate milenar, iniciado nos tempos do Profeta, em torno das imagens de crianças, mulheres e homens. Perguntar como representá-los implica pensar quem são, o que é a espécie humana.
Os filmes de Jafar Panahi não tratam dessa questão de maneira abstrata. Expõem o Irã de aqui e agora, o cotidiano atabalhoado de sua gente, as mazelas impostas a pobres, remediados, cineastas como ele —os que se propõem não só a mostrar o que se passa mas a criar uma linguagem que incorpore a realidade na sua forma, em filmes, arte.
Está em cartaz o último filme de Jafar Panahi, "Foi Apenas um Acidente". Ganhou a Palma de Ouro em Cannes e disputa com "O Agente Secreto" uma indicação ao Oscar. É o seu filme mais político e um dos poucos em que não aparece, seja como ator, seja como ele mesmo.
Embora tenha feito 12 longas-metragens, Panahi é mais conhecido pelo ativismo. Condenado por propaganda contra o regime, ficou dez meses encarcerado. Proibiram-no de sair do país por 14 anos; ou melhor, só poderia sair se fosse em peregrinação a Meca. Agora há pouco, no dia 1º, pegou um ano de cadeia por denegrir o sistema político.
Os aiatolás dificultam que faça filmes, e ele os dirige escondido. Vetam sua exibição, e eles circulam em DVDs pirata. Proíbem que sejam exportados, e são contrabandeados para a Europa. Sua militância é admirável, mas às vezes se presta mais atenção nela do que nos filmes. É pena, porque sua estética é o que conta, e ela é política.
Um mecânico escuta o ruído da prótese na perna de um passante em "Foi Apenas um Acidente". O barulho é igual ao do torturador que o massacrara anos antes —e a quem nunca viu, pois ele lhe vendava os olhos. Sua certeza é tanta que ataca o manco e o põe num baú, dentro de uma van.
Como o sequestrado brada que nunca seviciou ninguém, o mecânico busca outros torturados pelo capenga para que atestem que é mesmo ele o algoz. O filme é um thriller sobre vingança, uma farsa a respeito da ação grupal, uma parábola de humor negro, uma tragicomédia absurda que cita "Esperando Godot", de Samuel Beckett.
Confira cenas do filme 'Foi Apenas Um Acidente', de Jafar Panahi
São cinco pobres diabos em busca de justiça, o que significa trucidar quem os fez sofrer —caso seja de fato o torturador. Berram o tempo todo. Seus argumentos pró e contra a revanche se anulam. Parte do filme se passa numa van para mimetizar a masmorra onde padeceram. O pó cobre ruas e estradas. O sol ensandece como n’"O Estrangeiro", de Albert Camus.
"Foi Apenas um Acidente" é claustrofóbico, exasperante, difícil de ver. Lá e cá a corrupção campeia. Se no filme policiais pançudos andam com uma maquininha de cartão de débito para recolher propinas, aqui funcionários anteontem cobravam para religar a luz elétrica.
A corrupção permeia a linguagem que naturaliza a opressão. É dela que o cinema de Panahi se vinga, do fanatismo religioso e político. Ele fecha o foco na gente comum e adota o dito de Glauber Rocha: "No cinema, como na vida, o que vale é o bicho homem".
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14. Mirante do Rockfeller Center, em Nova York, permite recriar foto famosa
Plataforma se ergue e cria a ilusão de que visitantes estão suspensos sobre a cidade
Local permite uma vista privilegiada da região central de Manhattan
Guilherme Genestreti, fsp, 10.12.2025
"Lunch atop a Skyscraper" é uma das fotografias mais famosas do século passado. Clicada em 1932, no 69º andar do arranha-céu 30 Rockefeller Plaza, em Nova York, mostra 11 pedreiros almoçando sobre uma viga de construção do prédio, com os pés balançando naquela altura colossal, com o Central Park ao fundo. É uma das imagens mais simbólicas do crescimento vertical da maior metrópole dos Estados Unidos.
Natural que os americanos quisessem tirar uma casquinha da célebre imagem e resolvessem criar uma atração inspirada nela. Inaugurada em 2023, The Beam Experience é uma plataforma que se ergue a uns quatro metros acima do 69º andar do edifício onde o registro foi feito, há mais de 90 anos.
Funciona assim: os visitantes sobem na plataforma, atam cintos de segurança e, então, um operador aciona o mecanismo que permite a elevação dela e a sua rotação. Uma vez no alto, uma câmera faz o registro do momento, recriando a foto clássica e passando a impressão de que se está suspenso sobre as ruas.
Trata-se de uma das novas atrações do Rockfeller Center, que quer fazer frente ao Empire State e se firmar como um dos melhores espigões para se ter uma vista panorâmica da cidade. De fato, os dois prédios levam uma grande vantagem em relação a outros similares, espalhados por Nova York: como estão bem no centro de Manhattan, oferecem uma vista mais impressionante do mar de arranha-céus.
Parque elevado de Nova York, o High Line, ganha extensão - fotos
Outra novidade no lugar é o Skylift, este no 70º andar. É uma espécie de elevador envidraçado que sobe a uma altura de nove metros acima da laje do edifício. Ele faz um giro de 360º que dá a impressão de se estar voando sobre a cidade.
A dica, no Rockfeller Center, é chegar próximo à hora do pôr do sol. O primeiro passo é subir até o deck de observação e ver o céu da cidade se tingir de laranja, salpicado por aqueles prédios altíssimos. Dá para ver o Empire State e o Chrysler Building — ambos estruturas de ferro pontudas, em estilo art deco—, os rios East e Hudson, que cercam a ilha, e o Central Park.
Com a noite chegando, as milhões de janelas dos escritórios ao redor vão sendo acesas, e o horizonte ganha tons de âmbar. É lindo. Ingressos para adultos vão de US$ 42 a US$ 71 (ou R$ 228 a R$ 386), a depender do horário.
Na saída, é ainda possível parar para comer sanduíches e beber negronis no Weather Room, bar-restaurante no 67º andar, com amplos janelões para o mar de concreto ao redor. E se for no périodo natalino, dá ainda para ver o rinque de patinação e a tradicional árvore de Natal, a mais famosa de Nova York, na praça do térreo.
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15. Lugar de criança não é na rede social
Proibição na Austrália para menores de 16 anos deveria ser seguida pelo Brasil
Muitos pais não defendem o direito do filho à tela, mas sim a conveniência de não ter trabalho
Mariliz Pereira Jorge, fsp, 9.12.2025
A partir desta quarta (10), a Austrália se torna o primeiro país do mundo a proibir que menores de 16 anos tenham conta em redes sociais. TikTok, Instagram, YouTube, X, entre outras, tudo fora do alcance legal de crianças e adolescentes. As plataformas serão obrigadas, sob multa pesada, a tirar a chupeta digital da boca de quem ainda não tem maturidade para esse tipo de brinquedo.
O Brasil já deveria ter feito a mesma coisa. Está escancarado que crianças não têm preparo emocional, cognitivo nem mínimo senso crítico para habitar esse ambiente de pornografia, ódio, desinformação e dopamina infinita, mesmo quando o feed parece "controlado".
O mais constrangedor é precisar de lei para isso. Pais adultos, responsáveis e minimamente informados deveriam simplesmente limitar o acesso, tirar o celular da mão do filho, dizer "não". Em vez disso, muitos se acomodam, cedem ao "todo mundo tem", fingem que não veem o filho se transformar em zumbi de tela e abrir mão de sono, leitura, conversa, habilidade social básica. Sabem que o ambiente é podre, mas evitam o conflito. Não defendem o direito do filho à tela, mas sim a conveniência de não ter trabalho.
A experiência recente da proibição de celulares nas escolas brasileiras já mostra resultado: alunos mais presentes, mais concentrados, mais olho no professor e menos na tela. Quem viveu a grita contra a obrigatoriedade do cinto de segurança e a proibição de cigarro em lugares fechados lembra: toda medida de proteção coletiva começa impopular, cheia de esperneio adulto, e termina óbvia. Odeio dizer isso, mas o Maluf foi visionário!
Vai ter adolescente que burla? Claro. Vai ter pai que ajuda a trapacear? Também. Mas isso é só uma radiografia sinistra da nossa imaturidade. Quando um governo precisa decretar "offline obrigatório" para menores, não são as crianças que fracassaram. São os pais, os adultos, que preferem terceirizar a criação para o algoritmo e deixar os filhos à mercê de pressão estética, pedofilia, bullying, discurso de ódio. O nome disso deveria ser abandono de menor e criminalizado como tal.
Austrália começa experimento que proíbe menores de 16 anos de usarem redes sociais vídeo
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16. Glauber Braga
Câmara tem reviravolta e decide suspender Glauber por seis meses em vez de cassá-lo
Punição não tem a ver com confusão da terça (9), mas com agressão do deputado a um militante de direita
Por 226 a 220, seis votos de diferença, Casa decidiu votar punição menor antes da cassação
Carolina Linhares, fsp, 10.12.2025
Em uma reviravolta, a Câmara dos Deputados determinou, nesta quarta-feira (10), a suspensão por seis meses no lugar da cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) por chutar um militante do MBL (Movimento Brasil Livre), um dia após ele ter sido expulso do plenário à força pela polícia legislativa.
O deputado havia ocupado a Mesa Diretora e se recusava a sair em protesto pelo fato de sua cassação ter sido pautada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Por 226 a 220, apenas 6 votos de diferença, a Câmara decidiu votar, antes da cassação, uma punição menor, de seis meses de suspensão. Em seguida, a suspensão foi aprovada por 318 a 141.
A perda do mandato do deputado era esperada na Casa, já que ele não conta com sustentação política e apoio dos principais partidos. A ocupação da cadeira do presidente ainda agravou a situação de Glauber, mas o deputado obteve apoio para suavizar sua pena e se livrar também da inelegibilidade
Deputados de esquerda chegaram a dizer que a agressão foi um erro, mas não justificava a cassação.
Na terça (9), o protesto de Glauber foi comparado ao motim bolsonarista, que tomou conta da Mesa Diretora no início de agosto, e, nos bastidores, foi criticado até por deputados aliados, por utilizar o mesmo método que eles criticaram anteriormente.
Glauber afirmou que sua punição foi patrocinada pelo ex-presidente da Câmara Arthur Lira (PP-AL), que nega qualquer perseguição política. "Essa tentativa de cassação não tem nada a ver com o chute na bunda dado num provocador. Quem deu força a essa representação foi o ex-presidente da Câmara."
O deputado disse que, no caso da agressão, se exaltou após o militante do MBL ofender a sua mãe, que estava em estágio avançado de Alzheimer e viria a morrer dias depois.
Maria do Rosário mostra expulsão do deputado Glauber Braga da cadeira de presidente da Câmara
Durante a sessão, deputados de esquerda apresentaram uma série de questões de ordem como forma de tentar obstruir a votação. Também houve bate-boca e confusão no plenário.
Motta anunciou, nesta terça, para surpresa dos líderes partidários, que pautaria, até o fim do ano, as votações a respeito da perda de mandato de Braga, Carla Zambelli (PL-SP) e Alexandre Ramagem (PL-RJ). O caso de Zambelli também deve ser votado nesta quarta, após a CCJ (Comissão de Justiça e Cidadania) opinar pela cassação.
Glauber afirmou que Motta decidiu pautar seu caso e o de Zambelli no mesmo dia para criar uma "falsa simetria", já que a deputada foi condenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal).
Glauber iniciou seu discurso com o mote "Congresso inimigo do povo" e disse que, se fosse para "simplesmente se comportar" e deixar de discutir os grandes temas para evitar a cassação, ele estaria se corrompendo.
O deputado afirmou que Motta não liberou as galerias da Câmara para que o público acompanhasse a votação. A circulação estava restrita ao público na Casa nesta quarta.
Como mostrou a Folha, após Glauber se recusar a deixar a Mesa na terça, a sessão foi suspensa e deixou de ser transmitida pela internet. A polícia legislativa foi acionada para intervir e o parlamentar foi retirado à força da cadeira. Obrigada a deixar o plenário, a imprensa não conseguiu registrar imagens. Apenas parlamentares tiveram acesso à cena e divulgaram vídeos da polícia retirando Glauber.
A confusão da expulsão continuou pelo salão verde, com jornalistas, policiais e deputados em um tumulto com empurra-empurra e agressões.
Tumulto e empurra-empurra entre policiais e jornalistas em torno de Glauber Braga vídeo
Glauber teve a recomendação da cassação do mandato aprovada pelo Conselho de Ética da Casa em abril pela agressão ao militante do MBL. No mesmo dia, ele iniciou uma greve de fome só encerrada após compromisso de Motta de não pautar a votação do caso em plenário no primeiro semestre.
"A minha presença na Mesa Diretora da Câmara foi exatamente para demonstrar que a gente não pode se render. Do que é que me acusam de ter defendido a honra da minha mãe, de ter denunciado orçamento secreto, de ter batido de frente com o todo poderoso Arthur Lira? Me desculpe, mas isso não é nenhum motivo para cassação de mandato", disse Glauber na terça.
"Para defender a minha família, sou capaz de muito mais que um chute na bunda", acrescentou nesta quarta.
Membro do MBL, o deputado Kim Kataguiri (União Brasil-SP) chamou o discurso de defesa de Glauber de teatro.
Este é Glauber Braga (PSOL-RJ) imagens
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17. Vinícius Muniz & viola
A Armadilha do Tião Carreiro: O disco de 1976 que travou a evolução da Viola Caipira. vídeo
SELEÇÃO DE PAGODES | VIOLA CAIPIRA | VINÍCIUS MUNIZ | EP. 5
A Virada da Viola Caipira: Os 2 Momentos que Mudaram a História (1966 e 1985)
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18. Carlos Burle e o susto de Nazaré
Burle detalha susto em Nazaré: 'Nunca senti tanta vontade de respirar'
Guilherme Dorini, UOL, 04/12/2025
O surfista brasileiro Carlos Burle viveu momentos de tensão nesta quarta-feira nas temidas ondas de Nazaré, em Portugal. Ele caiu de uma onda gigante, ficou alguns períodos submerso e teve de ser resgatado pelos companheiros. O episódio terminou com atendimento na areia e exames no hospital — mas, por sorte, sem ferimentos graves.
Burle conversou com o UOL enquanto aguardava o voo de volta ao Rio de Janeiro, horas após receber alta. Ainda cansado e com a voz baixa, falou sobre o que classifica como um dos episódios mais difíceis de sua carreira.
"Foi o meu pior caldo, com certeza. Eu nunca senti tanta vontade de respirar." Carlos Burle
Consciente e sobrevivendo
Burle conta que, apesar da imagem forte, ele não chegou a perder a consciência — mas estava no limite físico enquanto tentava resistir à pressão da água.
"Você perde muita oxigenação. O corpo aciona a emergência, então você fica só sobrevivendo. Mas eu respondia tudo. Quando o Lucas perguntou como eu estava, falei: 'Estou mal, me leva para a praia'." Carlos Burle
Segundo o surfista, o momento mais crítico aconteceu após a queda, quando ele foi levado muito fundo e demorou para conseguir acionar o colete inflável.
"Fui muito fundo. A pressão da profundidade nos pulmões, junto com o colete expandido e todas aquelas roupas de borracha, dificultou muito a minha respiração. Quando eu subo, eu não tenho tempo para recuperar. Já tomo a segunda onda.".
Resgate em várias etapas
Burle relembra que a operação de resgate foi complexa, com diferentes surfistas assumindo funções em sequência. Primeiro, Lucas Chumbo deixou o jet ski para alcançá-lo na espuma.
"Eu lembro de tudo. Lembro assim, tem uns momentos quando o Lucas me pega que eu, pela falta de energia, não consigo acompanhar tudo. Quando ele pega e a gente cai novamente, tudo entra no automático na minha cabeça." Carlos Burle
Depois, os dois foram novamente atingidos por outra série. O resgate só foi concluído quando Burle foi colocado no sled por Willyam Santana e levado à areia, onde recebeu oxigênio.
"Eu nunca senti tanta vontade de respirar. Depois que tiraram o meu colete na praia, parecia que eu tinha nascido de novo. Meu pulmão estava apertado, eu queria respirar e não conseguia. É muito ruim a sensação." Carlos Burle
Excesso de confiança
Burle ainda admite que contribuiu para o incidente ao tentar captar imagens durante a descida da onda.
"Eu queria fazer umas imagens, e desde a primeira onda que o Lucas me puxou, eu estava com a câmera na boca filmando para um lado, filmando para o outro. Nessa onda, eu quis fazer uma imagem de frente. Quando eu caio, eu continuo segurando com as duas mãos para não perdê-la. Por isso, eu demoro para acionar o dispositivo, o cilindro. E quando eu aciono o cilindro, eu demoro para subir, porque eu fui muito fundo."
Ele entende o episódio como um alerta:
"O que aconteceu foi excesso de confiança. Essas imagens são legais, mostram a intimidade do esporte. Mas hoje eu me questiono: até onde a gente vai para fazer uma boa imagem? É justo se pensar assim. Eu acho muito legal a gente fazer imagens. Eu trabalho com isso muito na minha vida, sempre fiz. Me sinto confortável pilotando e fazendo imagem, surfando e fazendo imagem. Mas hoje eu me questiono sobre isso.".
Gratidão ao time
Burle ainda destaca o papel decisivo da equipe na sua sobrevivência. "Eu estava muito confiante no meu time. Se não fosse por isso, talvez eu não estivesse aqui agora. É importante a gente entender que o time existe, toda a preparação existe, todo o cuidado que a gente tem, mas o risco continua. Foi mais um dia no meu escritório.".
"Graças a Deus, foi um susto grande. Tenho muita gratidão ao Lucas Chumbo. Ele assumiu a responsabilidade de me puxar, de me resgatar. Ele sabe que eu e ele já passamos por momentos incríveis juntos, e hoje também foi mais um." Carlos Burle sobre Chumbo
Retorno ao Brasil
Com os exames indicando que está fora de perigo, Burle foi liberado para viajar. Ele diz que o bom condicionamento físico foi determinante para suportar o impacto da onda.
"Estou bem fisicamente, treinando muito. Tenho 58 anos, mas estou feliz com meu corpo. Se eu não estivesse bem, talvez não tivesse aguentado. A minha cabeça, a minha tranquilidade na hora, a capacidade de ficar debaixo d'água muito tempo... Tudo isso ajudou para que eu tomasse as decisões certas e ficasse mais tranquilo."
Apesar do susto, o surfista mantém o mesmo entusiasmo de sempre.
"Isso é a minha vida, meu sonho. Ver a nova geração performando, eu passando experiência... Hoje eles cuidam de mim. Eu faria tudo de novo. Saí de lá já com saudade." Carlos Burle
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19. A vida na ponta dos dedos
O escalador Anderson Lima desafia a gravidade subindo paredes de rocha sem cordas ou proteções
Muito treino, meditação e artes marciais fazem parte da rotina do montanhista
Luiza Pastor, fsp, 3.12.2025
Quem olha de longe segura a respiração, agoniado. Um homem sobe pelas paredes mais ariscas do Brasil, aquelas que exigiriam muito de qualquer escalador experiente e equipado com metros de cordas e quilos de mosquetões, usando nada além de suas mãos, pés, um saquinho de magnésio e uma disciplina treinada ao longo de anos em artes marciais. Esse homem é o paulistano Anderson Lima, 43, criador do projeto Free Solo Brasil. Ele se dedica a colecionar conquistas como a subida pela via chamada K2 no Corcovado, no Rio de Janeiro, com 150 metros, em espantosos 12 minutos e 43 segundos. Ou a primeira escalada livre da Chaminé Gallotti, uma das vias mais difíceis do Brasil, na face sul do Pão de Açúcar, com 280 metros de extensão e um histórico que inclui, entre outras curiosidades, o achado de um corpo mumificado — e nunca identificado — de um homem em 1952.
freesolobrasil - Insta
Lima conta que começou a escalar bem mais tarde que o habitual entre montanhistas, depois dos 30 anos. Enfermeiro de profissão e com uma escala típica da profissão, ele não encontrava parceiros que pudessem acompanhá-lo às montanhas em dias de semana. Começou, então, a escalar por conta própria, ainda usando cordas, mosquetões e tudo o que mandam os manuais do montanhismo tradicional.
"Comecei a ir para as montanhas de Teresópolis, principalmente sozinho", conta ele à Folha. "E, durante as escaladas solitárias, comecei a fazer alguns movimentos sem a segurança que deveria ter, mas percebendo que eu tinha uma capacidade de concentração muito grande".
Da constatação de que podia, como diz, "mudar a chave e começar a fazer alguns trechos sem as cordas", veio a certeza de que podia fazer aquilo para valer, de cabo a rabo. "O montanhismo é a minha religião, com a meditação e a experiência eu fui aumentando minha performance naquilo que não é meramente um esporte, mas um estilo de vida", filosofa.
Ao longo de dez anos, Lima escalou sem registrar suas subidas. "Geralmente, quem faz free solo não mostra isso, é um momento muito particular entre você e a montanha", diz. Mas, em 2021, um amigo insistiu para que mostrasse sua técnica ao mundo. Nascia assim o embrião do canal Free Solo Brasil.
À pergunta inevitável sobre como e por que enfrenta o medo da morte sempre tão próxima, Lima responde que, como enfermeiro de emergência em cardiologia, viu muita gente morrer. "A maioria das pessoas que vi morrer acreditavam que estavam em segurança e simplesmente a morte aconteceu, talvez isso me tenha deixado um pouco desapegado", diz. E acrescenta: "Eu entendo muito bem que minha hora vai chegar a qualquer momento, como a de todo mundo, mas quando chegar minha vez, quero estar lá, na montanha".
A preparação de Lima para cada escalada livre começa com uma forte rotina de exercícios de musculação, treinamento de artes marciais, e não raro uma dieta restrita. "Meu biotipo não é muito favorável para a escalada, sou muito grande, quase todos os escaladores são miúdos, já participei de competições em que meu adversário pesava 50 quilos e eu peso 80!", conta, divertido.
Lima, que prepara o lançamento de seu livro "Entre o Medo e a Montanha", comemora agora a conquista que define como "a escalada mais difícil" de sua trajetória, na via (ou rota de escalada na pedra, no jargão do montanhismo) Cruz Credo da Pedreira do Dib, na cidade paulista de Mairiporã. A via tem 80 metros de altura e diferentes graus de dificuldade que incluem trechos negativos —quando o escalador fica literalmente pendurado da pedra que se projeta horizontalmente sobre sua cabeça e precisa passar para o lado de cima usando a força dos braços, como na foto que acompanha este texto. Mas ele já se prepara para mais um grande desafio: a via Soma de Todos os Medos, uma parede de 810 metros de altura na montanha Cantagalo, localizada no distrito de Itaipava, na cidade de Petrópolis, região serrana do Rio de Janeiro. Sua inspiração?
"Na verdade são dois escaladores", afirma. "O americano Alex Honnold, um dos primeiros a registrar em imagens escalada free solo, e o francês Alain Robert, que atualmente só escala altos prédios, ambos são pessoas que admiro muito", resume.
Finalizando a conversa, Lima faz um alerta: "Quando se vai divulgar o free solo para outras pessoas, é importante entender que é uma decisão estritamente pessoal, é algo que nunca deve ser feito para desafiar alguém ou quebrar recordes, é uma conversa muito íntima profunda de cada um com a montanha, e cada escalador tem seu motivo pessoal para fazê-lo. E esse motivo tem que ser tão grandioso que valha a própria vida".
'Free Solo' e o namoro com a morte texto
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20. O menino e o gato
Esta foto foi tirada há quase 100 anos.
E guarda um segredo que atravessou gerações.
Eles nasceram no mesmo dia.
A criança, na cama de ferro da casa.
O gatinho, no fundo do quintal, debaixo da escada de madeira.
Era 1927.
Não havia hospitais por perto.
Não havia veterinários.
As coisas simplesmente aconteciam.
E naquela manhã de verão,
dois gritos quebraram o silêncio:
o choro de um bebê recém-nascido…
e o miado agudo de um filhote que ainda tinha os olhos fechados.
A família não ligou os dois eventos.
Eram apenas coincidências da vida.
Mas nas primeiras semanas,
a avó começou a notar algo estranho.
Sempre que o bebê chorava no berço improvisado,
o gatinho aparecia na porta.
Não corria.
Não miava.
Só vinha.
Arrastava-se pelo corredor de tábuas gastas,
sentava-se na soleira,
e ficava.
Parado.
Observando com aqueles olhos ainda azuis de filhote.
Como se aquele choro doesse nele também.
A mãe achava curioso, mas não dava importância.
"É o calor", dizia.
"Ou o cheiro do leite."
Mas com o tempo, ficou impossível ignorar.
Quando o bebê aprendeu a sentar,
o gato já estava ali.
Esperando.
Quando veio a primeira tentativa de se levantar…
e o tombo inevitável no chão de madeira…
o gato não se mexeu.
Só observou.
Avaliou.
"Ele tá bem. Deixa ele aprender."
E quando, finalmente, vieram os primeiros passos cambaleantes,
o gato começou a seguir.
Pelo quintal de terra batida.
Pela varanda estreita.
Pelos cantos da casa antiga.
Não era proteção.
Não era instinto.
Era outra coisa que ninguém sabia nomear.
Era companheirismo puro.
Vieram as fases.
A fase das brincadeiras no tapete puído,
quando a criança puxava o rabo do gato sem saber que machucava.
A fase dos brinquedos simples de madeira,
que o gato derrubava só pra ver a reação do menino.
E depois…
a fase silenciosa.
O tempo foi passando.
O menino cresceu.
Começou a frequentar a escola da vila.
Fez amigos.
Esqueceu do gato por horas.
E o gato…
foi envelhecendo.
Os bigodes ficaram brancos.
Os pulos, mais raros.
O ronronar, mais baixo.
Mas o hábito permaneceu.
Todo dia, o gato dormia no mesmo lugar:
no corredor, a poucos passos da porta do quarto.
Nunca dentro.
Nunca longe demais.
A distância exata de quem está ali porque quer.
Não porque precisa.
Essa foto foi tirada num desses dias comuns.
O menino brincando no tapete da sala.
O gato sentado ao lado, observando.
A mãe pegou a câmera antiga, daquelas pesadas de fole,
e registrou.
Ninguém sabia, naquele momento,
que aquela imagem atravessaria um século.
Que seria passada de geração em geração.
Que contaria uma história que nenhuma legenda poderia explicar.
Porque olhando de fora, não parecia nada demais.
Só um menino.
E um gato.
Mas quem viveu naquela casa sabia:
Quando veio a febre de tifo que quase levou o menino,
o gato não saiu da beirada da cama durante três dias.
Quando houve aquela tempestade violenta de 1932
que derrubou árvores e apagou todas as lamparinas,
o gato subiu na cama pela primeira vez.
E ficou.
Quando o menino teve pesadelos após a morte do avô,
o gato já estava ali antes da mãe acordar.
Como se soubesse.
Como se sentisse.
E foi assim que cresceram.
Não por magia.
Não por destino escrito.
Mas porque dividiram tempo, espaço e vida desde o primeiro suspiro.
O menino virou homem.
Casou-se.
Teve filhos.
E o gato…
viveu 19 anos.
Quando partiu, em 1946,
o homem já tinha 19 também.
Enterrou-o debaixo da jabuticabeira do quintal.
Com as próprias mãos.
Chorando como não chorava desde criança.
Hoje, mais de 90 anos depois,
essa foto amarelada ainda existe.
Guardada num álbum antigo.
Passada de mão em mão.
Contando uma história que a família nunca esqueceu.
A história de dois seres que nasceram juntos.
Cresceram juntos.
E, de alguma forma,
permaneceram juntos para sempre.
Porque certos vínculos não precisam ser explicados.
Eles só existem.
E quando começam junto com a vida…
nem o tempo consegue apagar.
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21. Rádio Cultura SP: Rádio Cultura 103.3 FM, ouça aqui
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22. Centrais sindicais elogiam jornada de 40h semanais, mas querem escala 5x2
Entidades se reuniram com ministro Luiz Marinho (Trabalho) nesta quarta-feira (3) e debateram proposta
Parecer do deputado Luiz Gastão (PSD-CE) prevê seis dias de trabalho e limitação de jornada a 6h aos sábados e domingos
Danielle Brant, fsp, 4.12.2025
Representantes de centrais sindicais se reuniram nesta quarta-feira (3) com o ministro Luiz Marinho (Trabalho) e debateram o parecer do deputado Luiz Gastão (PSD-CE) à PEC (proposta de emenda à Constituição) que acaba com a escala 6x1, da deputada Erika Hilton (PSOL-SP).
O parlamentar sugeriu limitar a jornada de trabalho semanal a 40 horas, em relação às atuais 44 horas. Essa redução seria gradativa. O modelo proposto permite seis dias de trabalho seguidos, mas prevê que a jornada aos sábados e domingos seja limitada a 6 horas por dia, com a previsão de pagamento do adicional de 100% sobre o valor da hora normal para as horas extras.
Participaram da reunião com o ministro a Força Sindical, CUT, UGT, CTB, Nova Central e CSB. Também esteve presente a deputada Daiana Santos (PC do B-RS).
Sérgio Luiz Leite, da Força Sindical, afirma que a avaliação das centrais sindicais sobre a redução da jornada de trabalho para 40 horas é boa.
"Acho que é um ponto positivo você ter uma sinalização de redução da jornada de trabalho. Mas a gente quer debater a questão da escala e talvez uma saída seja você colocar pelo menos duas folgas semanais consecutivas", afirma. "Mas volto a dizer, no relatório do Gastão ele não fala em terminar com a escala 6x1".
Outro ponto do parecer criticado pelo sindicalista é a possibilidade de livre pactuação contratual direta entre empregado e empregador, inclusive por hora trabalhada. "Isso é totalmente rechaçado por nós, porque não valoriza a negociação coletiva e cria um poder exacerbado do empregador perante o empregado em relação a estipular a jornada de trabalho e a escala", diz Leite.
O que diz quem tem um dia a mais de folga no trabalho - galeria
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23. Marco Pigossi fala de conselho de Silvio de Abreu para ficar no armário, casamento e mais
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24. Mom (vídeo animação)
Mom, 2016
Mom - A Mother, Missing Home // Viddsee.com, YouTube/Viddsee, 36,8M visualizações, 2 de mar. de 2016
Curtas metragens de animação ou não
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25. Com 673 diferentes tipos nativos, diversidade arbórea em SP impõe desafios
Variedade é essencial para combater ilhas de calor na cidade e garantir a saúde da flora
Para especialista, faltam manutenção e fiscalização de plantio de espécies exóticas
Mariana Zylberkan, fsp, 6.12.2025
As cerca de 620 mil árvores existentes em São Paulo são divididas em mais de 673 espécies nativas e outras dezenas de tipos exóticos ainda não catalogados. Tamanha diversidade arbórea, característica da mata atlântica, um dos biomas predominantes da capital paulista, traz benefícios para a cidade ao mesmo tempo em que impõe desafios no manejo e catalogação dos exemplares.
A permanência das árvores na cidade mobilizou recentemente grupos de moradores contrários à derrubada da vegetação no Bosque dos Salesianos, no Alto da Lapa, para a construção de prédios residenciais, e na Vila Mariana, no local das obras do túnel da avenida Sena Madureira.
A variedade é essencial para a saúde da flora local e, em tempos de mudança climática, para reduzir a ocorrências de ilhas de calor na metrópole. "A complicação vem da dificuldade de uniformizar procedimentos operacionais como as épocas de poda que podem ser específicas para cada espécie, por exemplo. Já a diversidade é muito importante para evitar a morte de árvores em grandes quantidades devido ao fato de muitas pragas e doenças serem específicas de um gênero ou espécie", diz o professor Demóstenes Ferreira da Silva Filho, do Departamento de Ciências Florestais da USP.
A contagem das espécies nativas mais recente data do ano passado e foi realizada pelo Herbário Municipal, mas nem todas compõem a arborização urbana, que inclui os parques e as áreas de mata, de acordo com a bióloga Ana Catalan, da consultoria ambiental Uirá. "Não há uma variação muito grande no espaço urbano. Há muitas espécies exóticas plantadas erroneamente."
Há também poucos estudos sobre como as diferentes espécies se comportam no ambiente urbano, a relação com a poluição e a rede elétrica durante as tempestades. De acordo com Marcos Buckeridge, professor do Departamento de Botânica do Instituto de Biociências da USP, a tipuana é o tipo de árvore com mais informações nesse sentido.
"Os primeiros projetos de arborização não tinham essa preocupação com os fios", diz.
Árvore originária da Bolívia e do norte da Argentina, a Tipuana tipu é uma das mais comuns na cidade. Pelos canteiros, calçadas e parques é possível encontrar também diversas espécies exóticas, como jaqueiras, mangueiras e abacateiros, e as nativas, que dão pitanga, uvaia e cambuci, em processo de extinção.
Outro tipo comum introduzido na flora paulistana, as figueiras, entre elas a Ficus elastica, conhecida como falsa seringueira, foram disseminadas como planta ornamental nos lares paulistanos, mas uma vez transferida para calçadas e canteiros, a espécie desenvolve raízes espessas que costumam quebrar calçadas e danificar muros onde crescem.
Diferentemente das nativas, as exóticas e exóticas invasoras não são contabilizadas pela administração municipal e, portanto, não há o mapeamento das espécies impróprias. A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) prevê para daqui a três anos a conclusão do inventário arbóreo iniciado em outubro.
Com investimento de R$ 18,8 milhões, o levantamento foi anunciado pela prefeitura em reposta às quedas recorrentes de árvores durante o período de chuvas. Uma tempestade no início de março provocou a queda de 340 árvores. Um motorista de táxi de 43 anos morreu ao ter o carro atingido pelos galhos na avenida Senador Queiroz, na região da Sé, no centro.
Existe uma lista oficial das espécies permitidas e também legislação que prioriza árvores nativas para o plantio em calçadas e canteiros, mas não há fiscalização, segundo o biólogo e paisagista Ricardo Cardim. "As pessoas plantam mangueiras e abacateiros cultivados a partir de sementes das frutas consumidas como uma forma de matar as saudades da roça, mas [essas árvores] dão frutos pesados que podem causar acidentes."
Árvores mais comuns em calçadas e canteiros de São Paulo - imagens
Ele explica que arborização urbana é um assunto técnico-científico e não pode ser exercida de maneira aleatória pela população. "Existe uma falta de educação ambiental, embora esses plantios sejam feitos por cidadãos que gostam do verde."
A presença de árvores impróprias para o ambiente urbano está entre os fatores de ocorrências de quedas durante tempestades, além do manejo insuficiente e da prevalência de fios de energia em postes em vez de aterrados, segundo Cardim.
"Árvores grandes servem para regular a temperatura da cidade e diminuir os eventos climáticos extremos por reduzir a ocorrência de ilhas de calor", diz. "As árvores caem por falta de manutenção periódica. Não há fiscalização do plantio de espécies equivocadas", continua.
Questionada a estratégia para adaptar o manejo das diferentes espécies, a prefeitura não respondeu. Em nota, afirmou que as intervenções passam pela avaliação de um engenheiro-agrônomo e seguem normas técnicas que determinam o tipo de procedimento adequado.
Há 162 equipes especializadas em atuação na cidade, segundo a administração. "Os serviços de poda na cidade respeitam um intervalo mínimo de três meses entre uma intervenção e outra", diz trecho de nota.
Árvores permitidas para plantio na calçada, 100
Porte Nome científico Nome popular Altura mínima (m) Altura máxima (m)
Pequeno Bauhinia blakeana Pata de vaca 6 8
Pequeno Bauhinia purpurea Pata de vaca 5 6
Pequeno Dictyoloma vandellianum Tingui-preto 4 7
Pequeno Handroanthus heptaphyllus var. paulensis ipê-rosa-anão 3 5
Pequeno Lagerstroemia indica resedá 3 5
Pequeno Aspidosperma riedelii Guatambuzinho 4 6
Pequeno Bauhinia longifolia Unha-de-vaca 4 7
Pequeno Casearia sylvestris Guaçatonga 4 6
Pequeno Erythroxylum deciduum Cocão 4 8
Pequeno Eugenia dysenterica Cagaita 4 8
Pequeno Eugenia involucrata Cereja do Rio Grande 5 8
Pequeno Jacaranda puberula Carobinha 4 7
Pequeno Myrcia rostrata Guamirim da folha fina 4 8
Pequeno Nectandra nitidula Canela amarela 4 8
Pequeno Psidium cattleianum Araçá 3 6
Médio Bauhinia variegata Pata de vaca 7 10
Médio Cassia leptophylla Falso barbatimão 8 10
Médio Cordia superba babosa branca 7 10
Médio Handroanthus chrysotrichus ipê-amarelo 4 10
Médio Koelreuteria bipinnata Árvore da China 10 12
Médio Lagerstroemia speciosa resedá flor de rainha 8 10
Médio Licania tomentosa oiti 8 15
Médio Michelia champaca Magnólia amarela 7 10
Médio Pachira aquatica Monguba 6 14
Médio Pterocarpus violaceus Aldrago 8 14
Médio Sapindus saponaria Sabão-de-soldado 5 9
Médio Tabebuia roseo-alba ipê-branco 7 12
Médio Tibouchina granulosa Quaresmeira 8 12
Médio Allophilus edulis Chal-chal 6 10
Médio Andira anthelmia Angelim-amargoso 6 12
Médio Andira fraxinifolia Angelim-doce 6 12
Médio Aspidosperma cylindrocarpon Peroba-poca 8 16
Médio Aspidosperma parvifolium Guatambu-oliva 10 15
Médio Astronium fraxinifolium Aroeira-vermelha 8 12
Médio Bowdichia virgilioides Sucupira preta 8 16
Médio Cybistax antisyphilitica ipê-verde 6 12
Médio Eugenia pyriformis Uvaia 6 13
Médio Eugenia uniflora Pitanga 6 12
Médio Handroanthus ochraceus ipê do cerrado 6 14
Médio Luehea candicans Açoita-cavalo 8 12
Médio Luehea grandiflora Açoita-cavalo 6 14
Médio Physocalymma scaberrimum Pau de rosas 5 10
Médio Pimenta dioica Pimenta da Jamaica 7 10
Médio Platypodium elegans Amendoim do campo 8 12
Médio Plinia edulis Cambucá 5 10
Médio Pouteria torta Abiu 8 14
Médio Pterodon emarginatus Sucupira 8 16
Médio Swartzia langsdorffii Pacova-de-macaco 8 14
Médio Vitex polygama Tarumã 6 12
Médio Vochysia tucanorum Pau-de-tucano 8 12
Médio Jacaranda cuspidifolia Caroba 5 10
Grande Caesalpinia peltophoroiddes Pata de vaca 7 10
Grande Handroanthus heptaphyllus Falso barbatimão 8 10
Grande Handroanthus impetiginosus babosa branca 7 10
Grande Handroanthus umbellatus ipê-amarelo 4 10
Grande Holocalyx balansae Árvore da China 10 12
Grande Jacaranda mimosifolia Jacarandá mimoso 8 10
Grande Lafoensia glyptocarpa oiti 8 15
Grande Lafoensia pacari Magnólia amarela 7 10
Grande Nectandra megapotamica Monguba 6 14
Grande Peltophorum dubium Aldrago 8 14
Grande Tabebuia vellosoi Sabão-de-soldado 5 9
Grande Tipuana tipu ipê-branco 7 12
Grande Albizia niopoides Farinha seca 10 20
Grande Astronium graveolens Guaritá 15 25
Grande Campomanesia xanthocarpa Guabiroba 10 20
Grande Citharexylum myrianthum Pau-viola 8 20
Grande Copaifera langsdorffii Óleo de Copaíba 10 15
Grande Cordia americana Guajuvira 10 25
Grande Cupania vernalis Camboatã 10 22
Grande Dalbergia nigra Jacarandá da bahia 15 25
Grande Eugenia brasiliensis Grumixama 10 15
Grande Fraxinus americana Freixo 15 24
Grande Guarea guidonia Marinheiro 15 20
Grande Hymenaea courbaril Jatobá 15 20
Grande Lonchocarpus cultratus ingá-bravo 10 18
Grande Lophantera lactescens Lofântera da Amazonia 10 20
Grande Luehea divaricata Açoita-cavalo 15 25
Grande Machaerium stipitatum Sapuva 10 20
Grande Myrcianthes pungens Guabiju 15 20
Grande Myroxylum peruiferum Cabreúva 10 20
Grande Nectandra oppositifolia canela-ferrugem 15 20
Grande Ocotea odorifera Canela-sassafrás 15 25
Grande Ormosia arborea olho-de-cabra 15 20
Gigante Caesalpinia peltophoroiddes Pata de vaca 7 10
Gigante Handroanthus heptaphyllus Falso barbatimão 8 10
Gigante Aspidosperma polyneuron Peroba-rosa 20 30
Gigante Aspidosperma ramiflorum Guatambu amarelo 20 30
Gigante Balfourodendron riedelianum Pau-marfim 20 30
Gigante Cabralea canjerana Canjarana 20 30
Gigante Calophyllum brasiliensis Guanandi 20 30
Gigante Calycophyllum spruceanum Pau-mulato 20 30
Gigante Cariniana estrellensis Jequitibá-branco 35 45
Gigante Cariniana legalis Jequitibá-rosa 30 50
Gigante Cedrela fissilis Cedro 20 35
Gigante Diatenopteryx sorbifolia Correieira 15 30
Gigante Esenbeckia leiocarpa Guarantã 20 30
Gigante Handroanthus albus ipê amarelo da serra 20 30
Gigante Machaerium villosum Jacarandá-paulista 20 30
Gigante Myrocarpus frondosus Óleo-pardo 20 30
Fonte: Manual de Plantio Urbano de São Paulo
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26. Florestan Fernandes viu em 'Memórias do Cárcere' denúncia do Brasil colonial
'Sair das prisões não é vencer as ditadura', escreveu o sociólogo em 1984
'Memórias do Cárcere' denúncia do Brasil colonial
'Sair das prisões não é vencer as ditadura', escreveu o sociólogo em 1984
Artigo faz parte de seção que republica colunas de grande repercussão da história da Folha
fsp, 6.12.2025
Florestan Fernandes assistiu ao filme "Memórias do Cárcere", de Nelson Pereira dos Santos, e viu mais que uma adaptação do livro de Graciliano Ramos (1892-1953). Viu uma denúncia do Brasil que permanecia, mesmo 40 anos depois do Estado Novo.
"Os que falam de 'literatura crítica' e de 'arte engajada' quase sempre permanecem na periferia dos símbolos e na superfície da luta política", escreveu o sociólogo em texto publicado na Folha, em 1984, quando o Brasil ainda vivia sob ditadura militar. "Graciliano Ramos travou o combate ao nível mais profundo da defesa da dignidade do eu e da condenação irretratável do despotismo institucionalizado."
O livro era "a única obra de denúncia integral e de desmascaramento completo existente em nossa literatura". E o filme conseguiu transpor essa força para a linguagem cinematográfica.
Para Florestan, "Memórias do Cárcere" revelava que o Estado Novo se soldava "ao passado escravista e colonial mais ou menos remoto e recente". Em um país onde "a descolonização foi confundida com a troca de guarda na casa reinante", o livro balizava "o aparecimento de uma nova consciência política da realidade nacional".
Graciliano Ramos - fotos
Leia a seguir o texto completo, parte da seção 105 Colunas de Grande Repercussão, que relembra crônicas que fizeram história na Folha. A iniciativa integra as comemorações dos 105 anos do jornal, em fevereiro de 2026.
Memórias do Cárcere (20/8/1984)
Há quantos anos li "Memórias do Cárcere" [de Graciliano Ramos]? Não me lembro. Não seria preciso ter vivido sob o inferno do Estado Novo para sofrer o impacto da grandeza daquele livro, que vincula a criação artística exemplar à ira moral e política mais consequente.
Os que falam de "literatura crítica" e de "arte engajada" quase sempre permanecem na periferia dos símbolos e na superfície da luta política. Graciliano Ramos travou o combate ao nível mais profundo da defesa da dignidade do eu e da condenação irretratável do despotismo institucionalizado. Temperamento e circunstâncias acenderam a chama do "intelectual revoltado", gerando-se assim a única obra de denúncia integral e de desmascaramento completo existente em nossa literatura.
Não voltei a ler o livro. Nem agora, que senti um ímpeto irrefreável de incentivar os leitores a não perderem a sua transposição cinematográfica. O vigor do livro, na minha memória, prende-se à revolta íntima, ao afã de denunciar e de desmascarar além e acima dos limites do inconformismo ideológico e político, de buscar uma objetividade tão intransigente e penetrante que nos lembra a "verdadeira ciência", no sentido de Marx.
Ao sobrepujar seu rancor e as humilhações sofridas, o intelectual descobre o significado da prisão e da violência que imperam em toda a sociedade brasileira, de modo a identificar o microcosmo dentro do qual fora lançado como o limite mais brutalizado e esquecido do todo, mas, ao mesmo tempo, o mais expressivo e relevador.
De um golpe, o Estado Novo e as várias franjas psicológicas, policiais, militares ou políticas da opressão mostravam-se no que eram, em sua realidade histórica específica e nas projeções que a soldavam ao passado escravista e colonial mais ou menos remoto e recente, ou seja, em sua realidade histórica "estrutural".
Em um país no qual a descolonização foi confundida com a troca de guarda na casa reinante e com a monopolização do poder pelos estratos dominantes dos estamentos senhoriais, "Memórias do Cárcere" balizava-me o aparecimento de uma nova consciência política da realidade nacional e de uma repulsa ao conformismo típica dos movimentos de rebelião, que iriam engravidar a história das "noções proletárias".
Constituía uma dificílima tarefa criadora transpor para a linguagem do cinema um livro como esse, que comoveu a nação, mas permaneceu ignorado pelos estudiosos do Brasil na sua perspectiva original mais elucidativa e provocadora, em ruptura com a "história oficial" e, especificamente, com as várias modalidades então existentes de "sociologia de gabinete" e de "ciência social acadêmica". Pela segunda vez um escritor escrevia uma obra-prima dentro do seu métier (se se tomam "Os Sertões" [de Euclides da Cunha] como paralelo), só que, agora, o produto transcendia à ordem existente como um todo e a punha em xeque. O cinema poderia responder dialeticamente a essa realização?
Só assisti uma vez ao filme de Nelson Pereira dos Santos e seus colaboradores (entre os quais a competência dos técnicos nada fica a dever à excelência dos atores). A impressão que me ficou, corroborada por uma longa reflexão crítica, levou-me à certeza de uma correspondência dialética efetiva.
O filme opera com os três níveis do livro: o psicológico e da memória propriamente dita, que focaliza as ocorrências do dia a dia; o dos acontecimentos, no qual a história também se objetiva através da memória e da experiência direta com a realidade do Estado brutal, chocante e repulsivo, retrato da sociedade de que fazia parte e daqueles que a comandavam, para os quais ele constituía uma "necessidade política"; o da "repetição da história", parcialmente visível através de ocorrência do cotidiano e dos acontecimentos, mas em sua maior parte matéria da análise crítica desmascaradora, pela qual a brutalização e bestialização do homem refletiam como a ditadura se incluía em uma cadeia de continuidades, que faziam do presente um espelho fiel do passado oligárquico, do passado escravista neocolonial e do passado escravista colonial, pretensamente desaparecidos. O que é preciso assinalar: o filme faz tudo isso pelas vias próprias do cinema, sem parasitar no talento de Graciliano Ramos nem mimetizar o portentoso quadro de referências obrigatório.
"Memórias do Cárcere", na versão cinematográfica, explora mais desenvoltamente a linguagem artística e as possibilidades que estão ao alcance do cinema de fragmentar a realidade para, em seguida, recompor o concreto nos diversos níveis em que ele aparece na percepção, na cabeça e na história dos homens.
Quem ama o livro por ele mesmo não vai recuperá-lo no filme. Quem ama as várias verdades que Graciliano Ramos enfrentou com hombridade e coragem irá ver no filme uma engenhosa e íntegra transposição do livro. Seria pouco dizer que ambos se completam.
Nelson Pereira dos Santos explica a técnica cinematográfica como Graciliano Ramos a técnica literária, como recurso de descoberta da verdade, arma de denúncia intelectual e instrumento de luta política.
Como a "sua" situação histórica é datada de hoje, o alvo imediato é, naturalmente, a ditadura atual e as condições que lhe conferem uma substância colonial inocultável. Esse é o aspecto por assim dizer genial do filme.
A atualidade das "Memórias do Cárcere" não poderia estar em algo exterior, como o "acaso" de uma ditadura ainda mais racional no uso da corrupção, da opressão e da violência institucionalizadas. Portanto, terminar o filme com as sequências que foram escolhidas para esse fim representa uma solução magistral, que confere ao filme o mesmo sentido intelectual, moral e político do livro, a mesma força de uma indignação avassaladora.
Em suma, ele se evidencia como um presente colonial, que não desaparecerá por si só ou por uma impossível ação redentora dos que tecem as continuidades do despotismo. Sair das prisões não é vencer as ditaduras. Para acabar com elas, no solo histórico da América Latina, seria preciso destruir o arcabouço colonial no qual elas se assentam e que lhes dá a maligna capacidade de sobreviver aos que elas aprisionam e libertam...
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27. Como a Netflix roubou a Warner Bros. de David Ellison
Companhia de streaming competiu com gigantes como a Paramount e conseguiu fechar negócio
Internamente, janela de compra da Warner era vista na Netflix como "oportunidade rara"
Financial Times, 6.12.2025
A velha guarda de Hollywood sempre desconsiderou a ideia de que a Netflix pudesse um dia revolucionar a indústria do entretenimento. "É um pouco como perguntar: 'O exército albanês vai dominar o mundo? Acho que não'", disse Jeff Bewkes, ex-CEO da Warner Bros., empresa controladora da Warner Bros., em 2010.
Mas na sexta-feira, a Netflix — lançada na década de 1990 como um serviço de aluguel de DVDs por correio — fechou um acordo de US$ 83 bilhões para comprar a Warner Bros., a sucessora moderna da empresa de Bewkes e lar do lendário estúdio de cinema. A aquisição encerra uma trajetória improvável, digna de Hollywood, e consolida o domínio da indústria de tecnologia sobre o entretenimento
Mais uma vez, os gigantes do entretenimento tradicional subestimaram a pioneira do streaming que revolucionou o setor nas últimas duas décadas. Até a manhã de segunda-feira, a Polymarket estimava as chances da Netflix de adquirir a Warner Bros. em menos de 5%.
O acordo marca o ápice da evolução da Netflix para uma potência em Hollywood, com um valor de mercado de US$ 450 bilhões. Os executivos conseguiram concretizá-lo ao montar uma proposta robusta de forma rápida e discreta, mesmo minimizando publicamente seu interesse.
O co-CEO da Netflix, Ted Sarandos, reconheceu na sexta-feira que muitas pessoas ficariam surpresas com a ousada oferta pela Warner Bros., mas afirmou que esta era uma "oportunidade rara" que não podia ser ignorada.
Veja alguns dos títulos da HBO e da Warner Channel - imagens
Se o acordo for aprovado, a Netflix controlará algumas das joias da coroa da indústria do entretenimento: o estúdio Warner Bros. —incluindo as franquias Harry Potter, Batman e DC Comics— a HBO, ainda invejada pela indústria televisiva, com sucessos como Game of Thrones, The White Lotus e The Sopranos, e o serviço de streaming premium da Warner, o HBO Max.
O leilão também representou um triunfo impressionante para o CEO da Warner Bros., David Zaslav, que há algumas semanas parecia prestes a ser destronado pelo ambicioso David Ellison, de 42 anos. Mas Zaslav conseguiu estimular um processo de licitação competitivo, impulsionando o preço das ações de sua empresa, que estavam em baixa, e encontrando um comprador disposto a mantê-lo à frente dos estúdios da Warner Bros. Business.
Mal a tinta secou após Ellison concluir a aquisição da Paramount por US$ 8 bilhões neste verão, ele voltou suas atenções para a Warner e começou a fazer ofertas em setembro.
Zaslav se irritou com as propostas, já que havia anunciado um plano para dividir a Warner Bros. Business, o que lhe permitiria continuar administrando o estúdio, o grupo de streaming e a HBO —as partes mais glamorosas e de crescimento rápido do negócio— e se desfazer dos canais de TV tradicionais que pressionavam o preço das ações.
Mas o conselho da Warner percebeu que precisava agir rapidamente ou correria o risco de perder o controle dos acontecimentos, segundo pessoas a par do assunto. A Warner Bros. Business iniciou formalmente um leilão em outubro, enquanto Zaslav buscava outros compradores. "Ficou óbvio que [a Paramount] não iria desistir", disse uma pessoa envolvida no processo de venda.
Internamente na Warner, o processo de venda operou sob o codinome Projeto Sterling, com os licitantes recebendo pseudônimos: Noble para Netflix, Wonder para Warner, Prince para Paramount e Charm para Comcast.
Com um apetite voraz pelos ativos, capital abundante graças ao apoio de seu pai, Larry Ellison, um dos homens mais ricos do mundo, e tendo obtido investimentos adicionais da Apollo e da Arábia Saudita, parecia que a Warner Bros. estava nas mãos de Ellison. O presidente dos EUA, Donald Trump, parecia estar defendendo publicamente que a Warner acabasse nas mãos da Paramount, dizendo a repórteres que os Ellisons eram "meus amigos".
A Netflix, por sua vez, pareceu minimizar seu interesse. O co-CEO Greg Peters disse em uma conferência da Bloomberg em outubro que "temos uma longa tradição de sermos construtores, e não compradores". "Grandes fusões de mídia... não têm um histórico muito bom", acrescentou.
Para manter o ritmo do leilão, a Warner impôs um cronograma extraordinariamente comprimido, dando aos licitantes dias para revisar os termos que normalmente levariam semanas. "Isso era tão grande, impactava tantas pessoas, que tínhamos que seguir em frente e não perder tempo", disse uma pessoa próxima ao CEO da Warner Bros.
Durante seis semanas, os membros do conselho foram convocados para reuniões de emergência quase diárias, sessões de redação que duravam a noite toda e um fim de semana prolongado de negociações difíceis.
O leilão chegou ao seu ápice esta semana, com as ofertas finais devendo ser entregues na manhã de segunda-feira (1). Netflix, Paramount e Comcast apresentaram propostas bastante diferentes. Na noite de quinta-feira, após horas de debate, o conselho se reuniu em sessão executiva e chegou a um veredicto unânime: aceitar a oferta da Netflix.
A Netflix não era a favorita óbvia. A empresa nunca havia tentado um negócio dessa magnitude. Mas, dentro da sala de reuniões, um fator superou o preço: a Netflix havia apresentado uma oferta completa.
"A Netflix estava pronta para executar este negócio em todos os aspectos relevantes", disse uma pessoa envolvida nas negociações de venda. Sua equipe passou 10 dias consecutivos atendendo a cada solicitação, reforçando cláusulas contratuais e concordando com uma multa rescisória de US$ 5,8 bilhões, uma das maiores já registradas.
O conselho queria uma proposta que pudesse assinar imediatamente. A Netflix foi a única licitante cuja documentação estava totalmente pronta para ser assinada naquela noite. "Minutos após a votação, os contratos foram assinados", disse uma pessoa envolvida.
A oferta da Netflix atendia a todas as exigências do conselho da Warner e a empresa estava disposta a adotar as mudanças solicitadas para concluir o negócio. A Paramount e a Comcast, por outro lado, ainda buscavam negociar certos termos, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
Até mesmo funcionários da Netflix dizem que, até recentemente, se viam como meros espectadores no negócio. "Sempre achamos que as chances de dar certo para nós eram pequenas, já que a Paramount entrou na disputa muito cedo e com muita força, mesmo que achássemos que nossa proposta e estratégia eram melhores", disse um executivo.
Zaslav poderia manter o controle operacional da Warner mesmo após a aquisição pela Netflix, embora um acordo formal ainda não tenha sido assinado, disse uma pessoa familiarizada com o assunto. Essa é uma vantagem que ele não teria no acordo com a Paramount, onde dividiria o cargo de CEO com Ellison.
A Netflix afirmou que espera concluir o negócio em 12 a 18 meses. Mas pessoas próximas aos órgãos reguladores dos EUA disseram que o processo pode levar mais tempo, já que a transação deve enfrentar sérios obstáculos antitruste. A combinação de duas das maiores plataformas de streaming dos EUA provavelmente será vista como anticompetitiva, disse uma pessoa próxima aos funcionários do governo Trump responsáveis pela regulamentação.
Executivos da Netflix dizem estar confiantes em superar quaisquer preocupações antitruste, apontando para o amplo e diversificado mercado de entretenimento, onde o público está migrando para plataformas digitais como o YouTube.
Anna Nicolaou , James Fontanella-Khan , Daniel Thomas e Christopher Grimes
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28. O banquete fatal que eliminou 11 fazendeiros: A Ceia Mortal do Sobrado de Pernambuco, 1873 vídeo
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29. Dupla armada invade biblioteca Mário de Andrade e rouba obras de arte de Matisse e Portinari
Foram levados oito quadros de Henri Matisse e cinco gravuras de Candido Portinari que faziam parte de mostra dedicada ao centenário do equipamento público
Bandidos fugiram em direção ao metrô Anhangabaú; ninguém foi preso
Mariana Zylberkan & Paulo Eduardo Dias & Patrícia Pasquini, fsp, 7.12.2025
Dois homens armados invadiram a biblioteca Municipal Mário de Andrade, na Consolação, região central de São Paulo, por volta das 10h15 deste domingo (7). Obras de arte foram levadas e os bandidos fugiram, informou a Polícia Militar.
A gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB), responsável pela biblioteca, informou que foram roubadas oito gravuras de Henri Matisse e cinco de Candido Portinari, da obra "Menino de Engenho", pertencentes à exposição "Do livro ao museu: MAM São Paulo e a Biblioteca Mário de Andrade".
A Folha apurou que a ação ocorreu por volta das 10h. Um dos criminosos anunciou o roubo ao mostrar a arma debaixo da blusa para uma das seguranças da biblioteca, que estava desarmada.
Ela foi levada para uma sala onde foi obrigada a entregar o rádio de comunicação e o celular. Enquanto isso, o outro suspeito retirou os oito quadros de Matisse da parede.
A dupla seguiu até um mostruário de vidro, onde estavam as demais gravuras roubadas. Eles usaram uma sacola de lona para guardar as obras de arte antes de fugir pela porta principal. Segundo a polícia, um casal de idosos que visitava a exposição também foi rendido pelos ladrões.
Os suspeitos fugiram em direção ao metrô Anhangabaú, de acordo com a corporação. Um dos ladrões vestia calça jeans surrada e camisa vermelha. O outro estava de calça jeans, blusa de moletom azul e boné azul.
Vigilantes correram para pedir ajuda a policiais militares que patrulhavam a região, mas os suspeitos não foram localizados. A PM informou que o prédio da biblioteca e os arredores foram patrulhados e que equipes buscam identificar os autores do crime.
Ladrões armados roubam obras da Biblioteca Municipal Mário de Andrade em SP - imagens
No momento do roubo, o local estava aberto ao público. Este domingo era o último dia da mostra que reúne livros raros, obras das décadas de 1940 e 1950 e fotografias que retratam a produção moderna no país.
Segundo a Secretaria de Cultura e Economia Criativa da cidade, "as obras expostas contam com apólice de seguro vigente" e "o local dispõe de equipe de vigilância e sistema de câmeras de segurança. Todo o material que possa servir à investigação está sendo fornecido para as autoridades policiais".
Cauê Alves, curador-chefe do MAM e da mostra, disse que a exposição contava com 20 obras. Parte dos quadros roubados pode ser vista em vídeo sobre a exposição divulgado em página oficial da biblioteca em rede social.
Os quadros de Matisse roubados estavam logo na entrada da exposição. Na comparação entre a foto e um vídeo postado pela biblioteca nas redes sociais, é possível identificar entre as obras subtraídas estão colagens do álbum "Jazz", publicado em 1947 na França pelo artista francês.
Elas são consideradas um conjunto raríssimo, já que existem apenas 250 exemplares originais espalhados pelo mundo —no Brasil, apenas 2—, explica o crítico de arte e curador Tadeu Chiarelli. "O valor cultural e artístico é incalculável", diz. "Muito triste esse roubo ocorrido na biblioteca Mário de Andrade, um monumento ao saber implantado no meio de São Paulo", continua.
A mesma avaliação se estende às obras de Portinari roubadas, um dos principais artistas brasileiros do século passado, segundo Chiarelli. "São obras raras, dificilmente alguém irá comprá-las", diz.
Mesmo álbum já foi furtado e recuperado
A mesma edição do álbum de gravuras "Jazz", de Matisse, já havia sido alvo de furto do acervo municipal. Adquiridas no final da década de 1940, as ilustrações estavam em posse da biblioteca havia dez anos.
A data exata do primeiro furto não é conhecida. As imagens, que deveriam estar com a biblioteca municipal paulistana, foram encontradas no fim de 2006 pela Polícia Federal da Argentina. A obra foi achada em um lote de cerca de 60 livros raros que, segundo o noticiário da época, haviam sido furtados de diversas instituições brasileiras.
Os ladrões estariam tentando cruzar a fronteira com a Argentina em Foz do Iguaçu (PR) quando foram barrados por autoridades da alfândega vizinha. A PF informou, à época, que "Jazz" era, de longe, a peça mais cara do conjunto de obras apreendidas.
A Biblioteca Mário de Andrade passou seis anos com a versão falsa em seu acervo, chegando a emprestá-la para uma mostra em homenagem a Matisse na Pinacoteca do Estado de São Paulo, em 2009.
O livro verdadeiro de Matisse só foi devolvido ao acervo paulistano cerca de nove anos após a apreensão. Primeiro, ficou cerca de cinco anos em posse das autoridades argentinas. Apenas em 2011 o lote completo foi retirado do país vizinho pela Polícia Federal.
A biblioteca inicialmente recusou a ideia de que as obras tinham sido furtadas, mas uma perícia demonstrou que as apreendidas eram as originais, e aquelas que ficaram no acervo eram falsas.
De 2011 a 2015, o álbum ficou depositado no Museu Nacional de Belas Artes, no Rio. Em agosto de 2015, o então diretor da Mário de Andrade, Luiz Armando Bagolin, foi pessoalmente retirar a obra e trazê-la de volta a São Paulo.
'Jazz' foi fundamental para modernismo brasileiro
As ilustrações de Matisse eram o grande destaque da exposição que comemorava o centenário da Biblioteca Mário de Andrade. As imagens originais fazem parte de um livro de tamanho A3 (29,7 por 42 cm) encadernadas, que foram emolduradas para exposição.
A série foi concebida pelo artista francês durante a Segunda Guerra Mundial, na sua velhice e durante a recuperação de uma cirurgia para tratar um câncer. Como o artista não podia mexer com tinta devido ao tratamento pós-operatório, ele fez as imagens com recortes de papel colorido e colagem.
Obra fundamental do modernismo mundial, "Jazz" foi um marco no processo de institucionalização desse movimento artístico em São Paulo. A aquisição da obra foi um pontapé inicial para o processo que levou à criação do MAM-SP (Museu de Arte Moderna de São Paulo). A exposição, inclusive, fazia um resgate da ligação histórica entre as duas instituições.
Segunda maior biblioteca pública do país, atrás apenas da Nacional, a Mário de Andrade guarda quase 1,5 milhão de itens, somando livros, mapas e documentos.
Fundado em 1925 como Biblioteca Municipal de São Paulo e inaugurado em 1926 na Rua 7 de Abril, o patrimônio histórico da cidade foi transferido em 1942 para o prédio atual, projetado por Jacques Pilon.
Centenário da Biblioteca Mário de Andrade - fotos
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30. Santos Reis - A epifania do Senhor
Trio Parada Dura - Hino de Reis




















