Baleias
Finoca 100
Mulheres que enfrentaram desafios pela liberdade
Otto Lara Resende ganha filme sensível em seu centenário - Sérgio Augusto
Série da HBO Max, 'Irma Vep' é um passeio pelos bastidores do cinema
Conversando sobre o faroeste italiano
Baleias
Baleias encalham em praia na região de Tasmânia, na Austrália; autoridades estimam haver quase 230 animais no local e quase metade já está morta. NRE - 20 setembro de 2022 / Via Reuters
Mais de 200 baleias encalham na Austrália, e autoridades temem mortes
Quase 200
baleias-piloto morreram depois que ficaram encalhadas em uma praia na costa
oeste da ilha australiana da Tasmânia, onde as equipes de resgate conseguiram
salvar pouco mais de 30 animais.
Após um grande esforço
em condições difíceis, as autoridades anunciaram que apenas 32 das 226
baleias-piloto encalhadas tinham força suficiente para um resgate.
"Estamos trabalhando para levar as baleias que foram consideradas aptas de
volta ao mar", declarou Sam Thalmann, biólogo marinho, à AFP. As imagens
aéreas mostram dezenas de baleias ao longo da areia da praia Ocean.
Após a descoberta dos
animais, os moradores da região cobriram as baleias com mantas e usaram baldes
de água para mantê-las com vida. Mas na maioria dos casos isto não foi suficiente.
"Infelizmente temos uma taxa elevada de mortalidade neste encalhe. Isto se
deve principalmente às condições de exposição na praia Ocean", afirmou
Brendon Clark, diretor de operações do departamento local de vida selvagem. "As condições
ambientais, as ondas na costa oeste, certamente estão afetando os
animais", acrescentou. Entre as tarefas também estava a retirada dos
cadáveres dos animais para evitar atrair tubarões para a área.
Há dois anos, a região
foi cenário do encalhe de quase 500 baleias-piloto, o maior já registrado no
país. Mais de 300 morreram, apesar dos esforços de resgate. Clark disse que, na
época, as condições eram menos severas para os cetáceos porque estavam "em
águas muito mais resguardadas".
INVESTIGAÇÃO DAS
CAUSAS
Os restos mortais das
baleias serão submetidos a necropsias para tentar determinar o motivo do
encalhe, muitas vezes desconhecido. Os cientistas sugerem que o fenômeno pode
ser provocado por animais que perderam o rumo depois de procurar alimentos
perto da costa.
As baleias-piloto, que podem atingir seis metros, são muito
sociáveis e costumam seguir os companheiros de grupo que entram em situações de
perigo. Em algumas ocasiões,
isto acontece quando baleias idosas, doentes ou feridas nadam até a costa e
outras integrantes do grupo as seguem, em uma tentativa de responder aos sinais
de socorro da baleia que ficou encalhada.
Alguns cientistas
acreditam que praias levemente inclinadas como as da Tasmânia confundem o sonar
dos cetáceos e os levam a pensar que estão em mar aberto. Esta semana também
foram encontrados 14 cachalotes machos jovens mortos, encalhados em uma praia
remota em King Island, entre a Tasmânia e a costa de Melbourne. A morte dos
cetáceos poder ser um caso de "desventura", afirmou o biólogo da vida
selvagem Kris Carlyon, da agência ambiental do governo, ao jornal local
Mercury.
A Nova Zelândia também
registra encalhes com relativa frequência. No país, quase 300 animais são
encontrados encalhados por ano em média, de acordo com os números oficiais. Não
é incomum observar grupos de 20 a 50 baleias-piloto encalhadas em uma praia.
Mas os números podem
alcançar centenas, como em 2017, quando cerca de 700 baleias ficaram
encalhadas.
O termo baleia-piloto é a designação comum aos mamíferos cetáceos do gênero
Globicephala, que ocorrem nos oceanos de todo o mundo. Tais mamíferos chegam a
medir até 8,5 metros de comprimento, de coloração negra, cabeça em forma de
globo sem bico definido e dentes presentes. Também são chamados de globicéfalo,
caldeirão e golfinho-piloto. https://pt.wikipedia.org/wiki/Baleia-piloto
Por que baleias e golfinhos
encalham? Saiba mais
https://marsemfim.com.br/por-que-baleias-e-golfinhos-encalham-saiba-mais/
Beached Whales | World's Weirdest vídeo
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Finoca 100
Hoje, 21 de setembro de 2022, Finoca, minha mãe faz 100 anos. Ela
ancestralizou-se no dia 25 de novembro de 2020. Viveu com dignidade e está
estrela no céu. Salve Finoca.
Finoca
Casarão da 4
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Mulheres que enfrentaram desafios pela
liberdade
Kijini Primary School students learn to float, swim and perform
rescues in the Indian Ocean off of Muyuni, Zanzibar.
https://www.annaboyiazis.com/finding-freedom-in-the-water
Fotos de mulheres que enfrentaram desafios pela liberdade são tema de exposição
Por Ubiratan Brasil, O
Estado,13/10/2022
A presença de mulheres
na arquibancada de estádios em jogos de futebol é corriqueira em muitas regiões
do mundo, mas a imagem registrada em 2018 pela fotógrafa iraniana Alaei
Forough, que mostra torcedoras iranianas assistindo a uma partida em um estádio
em Teerã, é significativa: as leis do país não permitem o acesso feminino em
estádios, mas, naquele dia, um grupo delas pôde assistir ao jogo entre
Persépolis e o time japonês do Kashima Antlers.
A imagem captada por
Alaei, mostrando a reação das torcedoras na arquibancada, tornou-se
significativa como exemplo, ainda que fugaz, de liberdade. Tanto que foi uma
das vencedoras do concurso da World Press Photo de 2019 com o título Crying for
Freedom (Gritando por liberdade, em tradução livre). É justamente a intenção de
mostrar tal força feminina diante de adversidades que inspira a exposição
Resiliência - Histórias de Mulheres que Inspiram Mudanças, que abre nesta
sexta, 14, no Instituto Artium de Cultura.
São retratos
documentados por 17 fotógrafos, de 13 nacionalidades diferentes, entre 2000 e
2021 e que expressam, por meio das imagens, suas visões sobre questões como
sexismo, violência contra mulher e direitos reprodutivos. “São exemplos de luta
pela igualdade de gênero”, observa Wieneke Vullings, cônsul-geral do Reino dos
Países Baixos, que organizou a mostra juntamente com a Fundação The World
Press. “E é ainda mais significativo agora, quando vivemos o período
pós-pandemia e que podemos sair de casa e voltarmos a nos preocupar com o que
acontece ao redor do mundo.”
De fato, a imagem das
torcedoras se expressando livremente no estádio iraniano revela uma forte carga
de resistência: antes, quem se arriscasse era sumariamente encarcerada. Foi o
que aconteceu em 2018, quando 35 mulheres foram presas depois de tentarem
entrar em um estádio para acompanhar o jogo entre Persépolis e Esteghlal.
As mais determinadas,
como Alaei Forough, chegaram a se disfarçar como homens para conseguirem acesso
às arquibancadas. Foram momentos de tensão, pois houve hostilidade de alguns
torcedores, mas também outros homens as apoiaram a seu modo, ou seja, ficando
em silêncio mesmo sabendo que estavam ao lado de uma mulher.
A liberação para
aquela partida contra o time japonês - que só veio depois de uma pressão da
Fifa - foi como a explosão de um grito preso no peito. “Lembro que, quando
passamos pelo portão e entramos no estádio, não consegui segurar as lágrimas
por cerca de 10 minutos. Era tão humilhante quando você tinha de mudar seu
rosto - nós até tivemos de enfaixar nossos seios para parecerem achatados como
o dos meninos”, contou Alaei ao site Artistas No Musas, que defende os direitos
femininos.
São momentos
significativos como esse que marcam a exposição. Wieneke aponta outro exemplo
de resiliência: o retrato Finding Freedom in the Water (Encontrando liberdade
na água, em tradução livre), da fotógrafa Anna Boyiazis, compartilha a história
de alunas da Escola Primária Kijini que aprendem a nadar e a realizar
salvamentos, no Oceano Índico, na Praia de Muyuni, Zanzibar.
Tradicionalmente, as
garotas do Arquipélago de Zanzibar são dissuadidas de aprender a nadar, muito
por causa da falta de roupas de banho mais recatadas. “Sou mãe de uma menina de
4 anos, que frequenta livremente aulas de natação, portanto, essa imagem é
particularmente forte para mim.”
Para ela, além do
aspecto estético, as fotografias refletem um compromisso contra a violência
contra mulheres, uma grave ameaça global.
...
Otto Lara Resende
ganha filme sensível em seu centenário
Compartilhávamos muito
mais afeições e manias, além de torcer pelo Botafogo, do que supúnhamos
Sérgio Augusto, FSP,
15/10/2022
Os dois únicos Otto
que tive o privilégio de desfrutar como amigos estão de volta ao noticiário
cultural. O austríaco Carpeaux (Otto Maria) com a reedição, pela Faro
Editorial, de sua História da Música, lançada 64 anos atrás, e o mineiro Lara
Resende com um documentário, Otto, De Trás P/ Diante, dirigido por sua filha
caçula, Helena, e Marcos Ribeiro, exibido esta semana no Festival de Cinema do
Rio. Não conheci xarás que lhes fizessem sombra, nem me apontaram outro
palíndromo de comparáveis grandezas. Verdade que o americano Otto Soglow,
criador do Reizinho dos quadrinhos, nunca viveu entre nós.
Conheci, e até
entrevistei, Rian, nom de plume adotado pela versátil Nair de Teffé, segunda
esposa do presidente (e marechal) Hermes da Fonseca e nossa primeira mulher
caricaturista. Vê-se que já fomos bem melhores também em matéria de
primeira-dama. De marechais, nem tanto.
O simples, sensível e
amoroso documentário da Heleninha, articulado em torno de cartas, bilhetes e
outros escritos de seu grafomaníaco pai, lidos pela atriz Julia Lemmertz e pelo
ator Rodolfo Vaz (um Otto muito mais do que convincente), tem o condão de
despertar inveja naqueles que não conviveram com o biografado e seus três mais
íntimos cupinchas mineiros e muita saudade naqueles que testemunharam o seu
tempo, para ele encerrado em 28 de dezembro de 1992, dois dias antes, hélàs!,
do impedimento do presidente Fernando Collor de Mello, pelo qual ansiava
fervorosamente.
Quando há dias o ogro
que nos governa ameaçou a República de, se reeleito, escalar Collor como
ministro, fui, só de curiosidade, pesquisar o que Otto escreveu sobre ele, em
suas crônicas na Folha entre 1991 e 1992. Elogiou-lhe a eloquência, e foi só.
Abordou discretamente a polêmica em torno das acusações de plágio envolvendo o
diplomata e ensaísta José Guilherme Merquior, e não se furtou a equiparar o
plagiário presidente em fim de mandato a “um Napoleão de hospício”.
O crítico
literário Antonio Candido e os escritores Fernando Sabino, ao centro, e Otto
Lara Resende, à direita Foto: Instituto Moreira Salles
Otto foi meu
inesperado guia por Lisboa na primeira vez em que a visitei, em 1969. Prestes a
deixar seu posto de adido cultural em Portugal, encontrei-o na casa de Cláudio
Mello e Souza, e ele me adotou, sem papel passado. Tive a honra de substituí-lo
nas férias e folgas no espaço que lhe cabia na página 2 da Folha e de ter sido,
também, o primeiro repórter a entrevistá-lo sobre a barba que, no auge de uma
depressão, desempregado e sem planos para o futuro, decidiu cultivar em meio
aos festejos do réveillon de 1984. “Se eu fosse um pouco mais burro, seria mais
feliz”, foi um de seus primeiros desabafos com aquele new look meio Hemingway,
meio Papai Noel, meio mendigo.
Compartilhávamos muito
mais afeições, manias e idiossincrasias, além de torcer pelo Botafogo, do que a
princípio supúnhamos. Apinhar de informações inúteis o cérebro, por exemplo.
Vez por outra, altas horas, ele me ligava, intermediado pelo arquiteto Marcos
de Vasconcellos, para tirar dúvidas sobre o nome de uma loja de
eletrodomésticos famosa no centro do Rio dos anos 1950 ou como era mesmo que se
chamava o personagem de Orson Welles em O Terceiro Homem. E se eu respondesse
de primeira, no automático, resmungava: “Bandido!”
O que estaria achando
e dizendo desse pandemônio em que nos meteram?, indagou-me um amigo em comum,
ao final da sessão de Otto, Detrás P/ Diante. Fácil de prever, dado o proverbial
ceticismo do personagem. Cético, porém propenso à ironia, talvez agradecesse
não estar mais vivo para presenciar o grotesco espetáculo diuturnamente
oferecido por Bolsonaro.
Em outro momento de
crise nacional, embora não comparável ao atual, chegou a ameaçar “trancar sua
matrícula de brasileiro”. Nos estertores do governo Collor, admitiu “não ter o
direito de enjoar a bordo do Brasil”, reconhecendo afinal que, por ter
assistido tantas vezes àquele filme, tinha, sim, o direito ao enjoo. Hoje é
provável que estivesse vomitando a própria alma.
Ficção de Otto Lara Resende, à margem por décadas, é tesouro secreto da literatura brasileira
Crítica | Mais do queuma biografia, ‘Otto: de trás p/ diante’ fala sobre paixão por Literatura
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Série da HBO Max,
'Irma Vep' é um passeio pelos bastidores do cinema
Alicia Vikander vive a
nova versão da protagonista na atração de Olivier Assayas que já foi tema de
filmes no exterior e no Brasil
Helen Beltrame-Linné,
FSP, 14/10/2022
Roteirista e
consultora de dramaturgia, foi diretora da Fundação Bergman Center, na Suécia,
e editora-adjunta da Ilustríssima
Uma série de 2022
sobre um filme-seriado de 1915 que já havia sido objeto de um longa-metragem do
mesmo diretor em 1996. Pode parecer confuso, mas "Irma Vep", criada
por Olivier Assayas para a HBO Max, vale o mergulho metalinguístico.
Lançada no Festival de
Cannes deste ano, a série é um passeio delicioso por Paris e pelos bastidores
da indústria cinematográfica em toda sua complexidade.
Do drinque refinado no
restaurante cinco estrelas para o café em copo de papelão no set de filmagem.
Da elegância andrógina diante das câmeras das premières até a solidão dos
quartos de hotel, passando pelos ataques histéricos de atores pouco convencionais.
Em oito episódios, Assayas consegue revelar a mistura inusitada que compõe o
fazer cinematográfico: glamour e tédio, fluidos corporais e instantes sublimes.
Uma série de 2022
sobre um filme-seriado de 1915 que já havia sido objeto de um longa-metragem do
mesmo diretor em 1996. Pode parecer confuso, mas "Irma Vep", criada
por Olivier Assayas para a HBO Max, vale o mergulho metalinguístico.
Lançada no Festival de
Cannes deste ano, a série é um passeio delicioso por Paris e pelos bastidores
da indústria cinematográfica em toda sua complexidade.
Do drinque refinado no
restaurante cinco estrelas para o café em copo de papelão no set de filmagem.
Da elegância andrógina diante das câmeras das premières até a solidão dos
quartos de hotel, passando pelos ataques histéricos de atores pouco
convencionais. Em oito episódios, Assayas consegue revelar a mistura inusitada
que compõe o fazer cinematográfico: glamour e tédio, fluidos corporais e
instantes sublimes.
Cartaz da série 'Irma
Vep', criada por Olivier Assayas - Divulgação
Ainda que seja
desnecessário para desfrutar a nova "Irma Vep", aproveito a chance
para falar da obra que está na origem dos dois trabalhos homônimos de Assayas.
"Os Vampiros", um "filme em série" composto de dez partes,
foi criado na década de 1910 por Louis Feuillade, à época diretor artístico do
respeitável estúdio Gaumont. No seu lançamento, a obra foi acusada de
glorificar o crime e, inclusive, censurada por atentar contra os bons costumes.
Mas o sucesso de
público viria em seguida, em muito capitaneado por Musidora, atriz que
interpretava Irma Vep, uma personagem sedutora de moralidade dúbia que a
consagraria como a grande vedete do cinema francês. Com os anos, viria
também a consagração artística: "Os Vampiros" desenvolveu técnicas de
suspense que seriam depois adotadas por mestres como Fritz Lang, Hitchcock e
Buñuel, para citar alguns.
Irma Vep, por sua vez,
tornou-se inspiração para diversas obras derivadas. No Brasil, muitos devem se
lembrar da lendária comédia "O Mistério de Irma Vap", com Marco
Nanini e Ney Latorraca nos papéis principais —que foi dirigida por Marília Pêra
com base na peça homônima de Charles Ludlam e ficou em cartaz durante anos na
década de 1980.
No filme homônimo
dirigido por Assayas em 1996, Irma Vep era interpretada por Maggie Cheung, mais
conhecida como musa de Wong Kar-wai, e que foi casada com Assayas.
Na nova série, o papel
foi dado a Alicia Vikander, uma atriz talentosa que não era tão bem aproveitada
desde seu papel em "A Garota Dinamarquesa", que lhe rendeu um Oscar
em 2016. Sua presença em cena é cativante e vê-la deslizar pelos cenários com
seu colant vampiresco é um prazer que recomendo ser desfrutado na tela grande.
Outra estrela inegável
da série é Vincent Macaigne –ele próprio um premiado realizador de curtas na
vida real–, que interpreta o diretor fictício René Vidal com um repertório
surpreendente de tons e estados de espírito.
Os elogios podem ser
estendidos a colaboradores regulares de Assayas que completam o elenco: Nora
Hamzawi, extremamente hábil como a diretora-assistente Carla, que tenta navegar
as águas turbulentas da filmagem; Jeanne Balibar como a figurinista charmosa e
paqueradora Zoe; e Lars Eidinger no papel do repulsivo Gottfried, que toma a
filmagem como um furação corrosivo.
A modelo Devon Ross é
outra que merece menção, ao desempenhar com tranquilidade o papel de Regina, a
assistente pessoal de Mira que é, acima de tudo, uma cinéfila e diretora
principiante. A crença de sua personagem no cinema como magia vai permitir uma
transição formal extremamente interessante para a série, que passa a explorar a
distorção de imagens e a forma cinematográfica em todo o seu potencial imagético.
É algo que, combinado com a trilha sonora de Thurston Moore, pode se tornar uma
experiência sensorial inédita para muitos espectadores de streaming.
Outro ponto que se
destaca na produção é a elegância absoluta da direção de Assayas. E não me
refiro apenas ao excepcional figurino de Jürgen Doering ou à coreografia de
cena do genial Angelin Preljocaj (que aparece em alguns episódios em ação
fazendo o que faz de melhor: desenhando os movimentos de Irma Vep).
O cuidado de Assayas
com detalhes se estende ao roteiro, que é extremamente bem decupado e revela um
verdadeiro tour de force do francês para dar conta de todas as tramas e linhas
paralelas que a série aborda. Ainda que, no nível das cenas, alguns diálogos
incomodem por serem mera recapitulação didática de pontos da trama original do
filme de 1915.
Incomodam porque os
fatos pouco interessam. "Irma Vep" é uma obra sobre performance.
Obviamente da atriz Mira, que faz isso profissionalmente e também nas suas
horas vagas. Mas, especialmente, do diretor René Vidal, que é obrigado, ele
mesmo, a desempenhar essa função no trato com seus atores e sua equipe –ainda
que ele falhe ocasionalmente, deixando seu sofrimento profundo transbordar para
fora da sala de terapia.
Para alguém que
trabalha no audiovisual e se interessa profundamente pela forma pela qual se
conta uma história, é muito interessante ver a inquietude de um artista como
Olivier Assayas, que continua se desafiando e buscando alguma coisa que nem ele
bem sabe o que é. "Irma Vep" é uma anomalia no mundo do streaming.
Porque é difícil de classificar. Porque é cinema dividido em partes. Porque
Assayas não presta contas para o mundo, mas para si mesmo. Porque ele, como,
como declarou em Cannes, está perdido. E nós adoramos isso.
Helen Beltrame-Linné,
FSP
Roteirista e
consultora de dramaturgia, foi diretora da Fundação Bergman Center, na Suécia,
e editora-adjunta da Ilustríssima
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13/10/22
Conversando sobre o faroeste italiano
Não se deve esquecer que o western corresponde não apenas à
história dos Estados Unidos – para os europeus, representa à saga dos
nibelungos.
('Afinal quem faz os filmes', Peter Bogdanovich, p. 234, Companhia das Letras,
2000).
No período de 1966 a
1970 o cinema italiano foi contaminado pelo faroeste. Já nos estertores do
neorrealismo, apareceram estes filmes com uma cinematografia diferente do
western USA. Aproveitavam-se da linguagem, mas queriam algo diferente do bem e
mal, mocinho e bandido e ação pela ação. Inseriam as questões sociais, o
existencialismo, o barroco e até o surrealismo. Almería, na Espanha, se tornou
o cenário da roliudi do western
com seus desertos e montanhas. O equivalente a Monument Valley dos faroestes de
John Ford.
Alguns destaques
relevantes desta onda de faroestes italianos: os três Sérgios – Corbucci, Leone
e Sollima, Damiano Damiani, Enzo G. Castellari e outros
Abaixo, alguns filmes clássicos destes nibelungos italianos. Dicas
para iniciar esta revisão: O Vingador
Silencioso, Keoma, Corre Homem, Corre e Gringo, Quién sabe?
O Vingador Silencioso,
Il grande silenzio, 1968, Sergio Corbucci
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Os Cruéis, I crudeli,
1967, Sergio Corbucci
O Especialista - O
Vingador de Tombstone, Gli
specialisti, 1969, Sergio Corbucci
Sobre Sergio Corbucci(1926–1990)
Keoma, 1970, Enzo G. Castellari
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Django, 1966, Sergio
Corbucci
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Corre Homem, Corre,
Corri uomo corri, 1968, Sergio Sollima
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Era uma Vez no Oeste,
C'era una volta il West, 1968, Sergio Leone
Gringo, Quién sabe?, 1967, Damiano Damiani
No iutubi aqui ou aqui
E Deus Disse a Caim, E Dio disse a Caino...,1970, Antonio Margheriti
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Django Vem Para Matar, Se sei vivo spara, 1967, Giulio Questi
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