terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

América dos americanos

 

Bad Bunny's Apple Music Super Bowl Halftime Show 

Prólogo

God bless América, sea Chile, Argentina, Uruguay, Paraguay, Bolivia, Perú, Ecuador, Brasil, Colombia, Venezuela, Guyana, Panamá, Costa Rica, Nicaragua, Honduras, El Salvador, Guatemala, México, Cuba, República Dominicana, Jamaica, Tila, Antilla, United States, Canadá, Modland, mi patria, Puerto Rico. Seguimos

Desenhando

A palavra e o poder 

Em 1925, Vladimir Maiakóvski, o poeta Russo, viajou pela América visitando Cuba, México e EUA o que resultou no livro Minha descoberta da América (1). Disso resultou uma prosa quase fotográfica, que mescla o ritmo da própria poesia maiakovskiana com o realismo cru do registro. Com essa poética do flash, ele descreve o navio povoado por uma mescla dos tipos humanos mais diversos, párias de toda espécie. Russos vagando pelo mundo à procura de emprego, turcos que só falam inglês, representantes de empresas francesas com passaportes paraguaios e argentinos, esses "colonizadores contemporâneos" que dividem o navio em classes, com a primeira vomitando na segunda, a segunda na terceira e esta em si mesma: cruza tudo isso com a história da exploração dos índios e negros norte-americanos por toda espécie de aventureiros (2). Quando se diz "América" na imaginação logo aparecem Nova York, Manhattan, Los Angeles, Hollywood etc. Estranho porque as Américas são três: a do Norte, a Central e a do Sul. Os Estados Unidos não ocupam nem toda a do Norte. Tomaram, apropriaram e incorporaram a denominação da todas as Américas.

Estranho e certo. Diz Maiakovski: "Certo, porque pegaram à força o direito de se autodenominar Estados Unidos da América, com encouraçados gigantes e dólares, enchendo de medo as repúblicas e colônias vizinhas. Só durante minha única curta temporada trimestral vi os americanos brandir um punho de ferro diante do nariz dos mexicanos sobre o projeto mexicano de nacionalização de seu próprio subsolo terrestre inalienável"

Que os Estados Unidos fazem parte da América todo mundo sabe. Mas, segundo Maiakovski, foi Calvin Coolidge (presidente de então) que "apenas formalizou essa

questãozinha em um dos últimos decretos, autodeterminando-se – e somente a si mesmos – americanos. Debalde o rugido de protesto de muitas dezenas de repúblicas e até de outros Estados Unidos (por exemplo, os Estados Unidos de México) que forma a América. Agora a palavra América foi definitivamente anexada". (...)

(1) Vladimir Maiakovski, Minha descoberta da América, Martins Fontes, 2007

(2) Paulo Bezerra, Um comuna nos EUA, Folha de São Paulo, 09/09/2007

Somos todos americanos

(...) A designação exclusiva dos habitantes USA como norte-americanos é igualmente incorreta, já que canadenses e mexicanos são também habitantes da América do Norte. Convenhamos que, apesar de sua dimensão geográfica, não cabe ao Brasil o direito de reservar prepotentemente ao seu habitante o designativo exclusivo de "sul-americano"!

A definição dos cidadãos USA como estadunidenses constitui a única nominação pátria correta, lingüística e sociologicamente. Ela constitui restauração lingüística, desprovida de julgamento de valor, do sentido inicial do termo "americano" - habitante da América -, que sofreu deslocamento semântico impróprio devido ao poder material e cultural do imperialismo estadunidense... (Florence Carboni, “Apenas estadunidenses”) 

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Só para lembrar: quem nasce nos EUA é estadunidense.


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