quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Prêmio Jabuti 2026 - finalistas

Após semifinalistas (ver aqui) divulgados em 29.09.2026, as finalistas

Eixo: Literatura

Conto

1º Lugar - Título: Massaranduba | Autor(a): Abáz | Editora(s): Senac Rio

Crônica

1º Lugar - Título: Viagem no país da crônica | Autor(a): Humberto Werneck | Editora(s): Tinta-da-china Brasil

Escritor Estreante - Poesia

1º Lugar - Título: História a que ninguém deu nome | Autor(a): Juliana Cajives | Editora(s): Mormaço Editorial

Escritor Estreante - Romance

1º Lugar - Título: Pitangas verdes | Autor(a): Mariana Lobato Botter | Editora(s): Labrador

Histórias em Quadrinhos

1º Lugar - Título: Ouroboros | Autor(a): Luckas Iohanathan | Editora(s): Comix Zone

Infantil

1º Lugar - Título: A letra | Autor(a): Leo Cunha, Raquel Matsushita | Editora(s): Maralto

Juvenil

1º Lugar - Título: A única da sala | Autor(a): Tathyana Viana | Editora(s): FTD

Poesia

1º Lugar - Título: Boris e Marina | Autor(a): Alberto Martins | Editora(s): Companhia das Letras

Romance de Entretenimento

1º Lugar - Título: Cartografia para caminhos incertos | Autor(a): Ian Fraser | Editora(s): Intrínseca

Romance Literário

1º Lugar - Título: Meridiana | Autor(a): Eliana Alves Cruz | Editora(s): Companhia das Letras


Eixo: Não Ficção

Artes

1º Lugar - Título: Abdias, intérprete do Brasil: textos sobre raça e cultura brasileira de 1940 a 1990 | Autor(a): Tulio Custódio (Organizador) | Editora(s): Todavia

Biografia e Reportagem

1º Lugar - Título: Trincheira tropical: a Segunda Guerra Mundial no Rio | Autor(a): Ruy Castro | Editora(s): Companhia das Letras

Economia Criativa

1º Lugar - Título: A (r)evolução das habilidades para o futuro do trabalho na era da inteligência artificial | Autor(a): Martha Gabriel | Editora(s): Senac São Paulo

Educação

1º Lugar - Título: Como conversar com crianças sobre racismo e diversidade | Autor(a): Manuel Alves de Sousa Junior | Editora(s): Schreiben

Negócios

1º Lugar - Título: Não se esqueça!: 50 memorandos sobre gestão e liderança com propósito, comprometimento e proatividade | Autor(a): Mario Sergio Cortella | Editora(s): Record

Saúde e Bem-Estar

1º Lugar - Título: A paixão pela mentira: a família e as tiranias | Autor(a): Paulo Schiller | Editora(s): Todavia


Eixo: Produção Editorial

Capa

1º Lugar - Título: Frans Krajcberg | Capista: Alles Blau Studio | Editora(s): MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand)

Ilustração

1º Lugar - Título: Guernica: a arte em busca da paz | Ilustrador(a): Vinicius Sabbato | Editora(s): Via Lúdica

Projeto Gráfico

1º Lugar - Título: Dobra | Responsáveis: Raul Loureiro | Editora(s): Cosac

Tradução

1º Lugar - Título: O cavaleiro de bronze e outros contos e versos | Tradutor(a): Rubens Figueiredo | Editora(s): Penguin-Companhia das Letras

Eixo: Inovação

Incentivo à Leitura - Projeto

1º Lugar - Título: Cartovivências nas periferias da cidade | Responsável(eis): Ricardo Barbosa da Silva | Editora(s):

Livro Brasileiro Publicado no Exterior

1º Lugar - Título: Os substitutos | Autor(a): | Editora(s): Companhia das Letras, Métailié


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Jabuti revela democracia ou anarquia ao premiar livros tão díspares?

Eliana Alves Cruz tem vitória inédita com romance, e Ruy Castro repete reinado

Premiação reitera padrões com uma mão e estilhaça tetos de vidro com a outra

Walter Porto, fsp, 28.10.2026 

O jogador de futebol Gustavo Scarpa (esq.) entrega prêmio Jabuti de incentivo à leitura para o influenciador Pedro Pacífico, o Bookster - Eduardo Knapp / Folhapress

Veja só que coisa. Nesta terça-feira (27), a carioca Eliana Alves Cruz se tornou a primeira mulher negra a ganhar o prêmio Jabuti de melhor romance literário desde que essa categoria foi instituída.

Escritoras como Marilene Felinto — destacada como revelação por "Mulheres de Tijucopapo" em 1982—, Conceição Evaristo, Geni Guimarães e Djamila Ribeiro já venceram em outros campos, mas a conquista de Alves Cruz pela trama familiar de "Meridiana" é um marco importante.


Eliana Alves Cruz recebe o Jabuti de melhor romance literário ao lado de seu editor na Companhia das Letras, Fernando Baldraia - Eduardo Knapp/Folhapress

Também inédito é o que aconteceu na eleição de "livro do ano". Pela segunda vez seguida, um dos maiores biógrafos brasileiros, Ruy Castro, saiu com a estatueta dourada. Isso nunca tinha ocorrido antes. Autores como Laurentino Gomes e Chico Buarque já levaram o prêmio máximo mais de uma vez, mas não em anos consecutivos.

Se o colunista da Folha ganhou no ano passado pelas crônicas de "O Ouvidor do Brasil", sobre o maestro Tom Jobim, agora sai premiado por "Trincheira Tropical", livro-reportagem de fôlego em torno da relação do povo carioca, seu tema predileto e inesgotável, com a Segunda Guerra Mundial.

Os três livros saíram pela Companhia das Letras — a última vez que um "livro do ano" do Jabuti foi publicado por outra editora foi em 2022.

Castro mesmo já havia levado o prêmio por suas biografias seminais de Mané Garrincha e Carmen Miranda, além do romance histórico "Os Perigos do Imperador". No coquetel após a cerimônia, fãs do autor dividiam espaço com profissionais que se queixavam da vitória repetida.

Antes de continuar, é preciso lembrar como esses livros são eleitos. Um grupo de três jurados é encarregado de votar em cada uma das 23 categorias — neste ano, se abriu uma exceção para uma enquete popular no pleito dedicado a influenciadores digitais, que o advogado apelidado de Bookster recebeu das mãos do jogador de futebol Gustavo Scarpa.

O corpo de votantes é escolhido e convidado pela curadoria do Jabuti, capitaneada pelo educador Hubert Alquéres há quatro edições.

Votar, no Jabuti, significa dar uma nota a cada livro, orientada por critérios pré-estabelecidos. Não há deliberação posterior nem uma instância que legitime se os jurados seguiram os parâmetros —o Jabuti afirma não revisar as escolhas e garantir autonomia total do júri.

Com base nessas avaliações individuais —os jurados não sabem a identidade uns do outros—, se monta o rol de finalistas. O vencedor é quem leva a nota mais alta, e o "melhor livro do ano" é o que recebeu a nota mais alta em todas as categorias (exceto as de inovação e produção editorial).

As categorias com mais inscritos tendem a diluir mais suas notas em livros diferentes —o Jabuti não divulga quantos se inscrevem em cada uma. E quanto mais unanimidade em torno de um competidor em um campo, maior tende a ser a nota dele no arrazoado final.

Prêmio Jabuti 2026: Lembre indicados - galeria

Isso abre margem a certo voluntarismo dos votantes — que têm perfis muito diferentes entre si— e a certa barafunda nas escolhas finais, o que leva editores a reclamarem nos bastidores da falta de critérios mais rígidos.

O maior exemplo de estranhamento, provocando muxoxos até durante a cerimônia, foi a escolha heterodoxa do sociólogo Jessé Souza e seu livro "Por que a Esquerda Morreu?" como finalista na categoria de saúde e bem-estar. Ganhou "A Paixão pela Mentira", do psicanalista Paulo Schiller, outro ensaio que toca em temas políticos.

É difícil falar em qualquer tendência unívoca do Jabuti quando os jurados fazem escolhas tão díspares entre as categorias. É um prêmio que reitera padrões com uma mão e estilhaça tetos de vidro com a outra.

O contista Abáz celebra vitória no Jabuti com o livro 'Massaranduba', da Senac Rio - Eduardo Knapp/Folhapress

Alguns júris priorizaram autores de fora do mercado dominante como o potiguar Luckas Iohanathan, bicampeão em quadrinhos pela editora Comix Zone. E o estreante baiano Abáz, publicado pela Senac Rio após vencer o prêmio Sesc pelo elogiado livro de contos "Massaranduba", superou pesos-pesados de grandes editoras.

A Bahia também é casa de Ian Fraser, o melhor romancista de entretenimento, publicado pela poderosa Intrínseca, e Juliana Cajives, a melhor poeta estreante, da independente Mormaço Editorial. São escolhas que fogem do piloto automático, e ampliar a visibilidade desses autores é um mérito.

A poeta Juliana Cajives, vencedora na categoria de poesia de estreantes, na cerimônia da Sala São Paulo - Eduardo Knapp/Folhapress

A noite também deu a primeira consagração a veteranos estimados no meio. É caso de Alberto Martins, editor e poeta de 68 anos, que publicou "Boris e Marina" pela Companhia, e Humberto Werneck, jornalista mineiro de 81 anos, melhor cronista por "Viagem ao País da Crônica", da Tinta-da-China Brasil.

O poeta Alberto Martins, ao lado de sua editora Alice Sant'Anna, sobe ao palco do prêmio Jabuti - Eduardo Knapp/Folhapress

É tentador pensar que estamos falando de premiações diferentes em cada categoria do Jabuti —o mesmo palco que celebra um livro de dicas de negócios de Mario Sergio Cortella também reverencia artigos de enfrentamento antirracista de Abdias do Nascimento, organizados por Tulio Custódio. A categoria que agora celebra Eliana Alves Cruz é a mesma que só tinha homens entre os finalistas no ano passado.

Cabe aos leitores, informados de como se estrutura essa eleição, avaliar se o resultado camaleônico é prova de um pleito democrático ou de certa anarquia.

Jabuti - webstories



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