sexta-feira, 24 de setembro de 2021

No fucking way

Alberto, 65, no consultório da pneumologista Nelma, 50. Ela o conhece há 15 anos. Portanto sabe, tim por tim, da sua saúde pregressa.

Ele entrega os exames de raio X e a tomografia computadorizada. Ela analisa o material e depois de 5 minutos de silêncio vem a pancada.

- Veja aqui Sr. Alberto, mostrando a imagem do pulmão. Tá vendo como está? Isso aqui são as membranas alveolares já no início de colapso. 

- Tá bom, Nelma, quer dizer que estou ferrado.

- Ainda não Alberto. Mas se você não parar de fumar esta porra deste cigarro, sim. Estará ferrado daqui a seis meses.

E continuou

- Você me disse há seis meses que fumava 40 cigarros por dia. Tenho quase certeza que mentiu. Deve estar com mais de 60, porque na época a imagem não estava assim.

Alberto retrucou

- Então esta imagem aí  está me condenando.

- Imagem nãooo! É teu pulmão e esta merda chamada nicotina que vão te ferrar.

Alberto saiu da consulta com sintomas de desespero. 

Foi obrigado a decidir... e decidiu.

Nas duas primeiras semanas de abstinência pensou três vêzes em suicídio. Engordou três quilos e passou a caminhar por uma hora diária. O desespero de quando em vez era substituído por algo semelhante à epifania.

Voltou a conversar com Nelma e saiu com receitas de drogas substitutas à nicotina: Rivotril e Novalgina 1g.

Uma ressalva relevante. Alberto, além de cigarro, desde jovem, foi amiguinho da cannabis. Dizia que foi o beque que aliviou o desespero durante a abstinência da nicotina.

O Cannabis Smoking Room de seu apartamento é a sala de estudo, sala de trabalho ou museu. Na renascença sala de estudo tinha esse nome: museu. No caso de Alberto tem duplo sentido mesmo. A imagem mais próxima é a sala de trabalho do falecido Aldir Blanc.

 

Aldir Blanc ( 1946 - 2020) no seu museu

É um quarto entulhado de livros, discos vinil, DVD, CD, arquivos diversos e o diabo a quatro.

Num certo dia o filho do Alberto entra no Cannabis Smoking Room.

- Pai você tem jeito não. Continua à procura da morte, né.

Alberto

- Marcos, (o nome do filho) não me enche o saco. Parei com o cigarro, mas parar com o beque? No-fucking-way.

 

NB

Cannabis Smoking Room e no fucking way (nem fudendo) afanei do livro maravilhoso do Mario Prata : "O drible da vaca", 2021, Editora Record


quarta-feira, 22 de setembro de 2021

Bolsonarismo

Derrotar Bolsonaro no ano que vem é possível, mas o bolsonarismo, nem tanto.

O corpo mole com relação ao impeachment do presidente pode nos jogar em dinâmica da era Lula.

Marcelo Coelho, 21/09/2021, Folha de São Paulo

Dá para entender o cansaço das pessoas com relação ao impeachment de Bolsonaro. Tudo empaca no presidente da Câmara dos Deputados, e as pressões sobre ele não são das mais consideráveis.

A sensação vem acompanhada de grande otimismo com a eleição de Lula em 2022. A terceira via tem se mostrado puramente imaginária até aqui, e as pesquisas apontam para uma lavada a favor do petista. 

Contra Bolsonaro, qualquer um é excelente candidato, na minha opinião. Lula, Doria, Moro, Luciano Huck, quem você quiser. Mas é aí que as coisas se complicam. Misturam-se dois objetivos: tirar Bolsonaro e fazer um novo governo. O que serve para um caso não serve necessariamente para outro.

Imagino uma grande convergência em torno de Lula para ganhar as eleições. Quem seria o seu vice? Alguém do agronegócio ou do varejo? Renan, quem sabe? Qual seria a sua base no Congresso? Uma aliança ainda mais ampla do que a construída das outras vezes?

Toda a habilidade política do ex-presidente para contentar PMDB, PTB e o que seja me parece insuficiente, a esta altura, para conduzir um governo nos próximos anos. Os anos Lula se beneficiaram de uma boa situação econômica. Os avanços sociais cobriram, por um bom tempo, a corrupção e a ausência de reformas essenciais.

Achar possível uma volta àquela situação de conforto seria ignorar o que aconteceu a partir de 2013 e, mais ainda, as próprias razões do bolsonarismo. Derrotar Bolsonaro é possível com largas alianças à direita. Derrotar o bolsonarismo é uma tarefa bem mais difícil e exigiria um bocado de radicalidade. Dou alguns exemplos.

Não me parece possível nenhum avanço no plano dos direitos da mulher, do respeito à laicidade do Estado, do estímulo ao pensamento científico e da melhoria intelectual da população se um futuro governo mantiver as televisões dominadas por igrejas evangélicas.

Por que uma TV, concessão do Estado, pode alugar seu espaço a curandeiros histéricos e enganadores? Ai de quem tocar nesse assunto! “Atentado à liberdade religiosa! Preconceito!” Uma coisa é atentar contra a liberdade religiosa. Outra é facilitar a vida de trambiqueiros.

Outro exemplo. Como permitir que as Forças Armadas e as polícias militares vivam em completo desacordo com o legado da democratização, e com princípios de respeito aos direitos humanos estabelecidos há séculos?

Uma intervenção ideológica radical seria necessária —mas seu sucesso dependeria, também, de uma política de segurança pública de audácia jamais vista… Pois a convicção geral de que “bandido bom é bandido morto” nasce do real desespero de quem vive em áreas de risco.

A mudança no sistema eleitoral seria uma terceira frente: sem o voto distrital misto, ninguém tem controle sobre deputados e vereadores e mal lembra em quem votou.

Por fim, o blá-blá-blá dos economistas neoliberais, com a eterna e velada ameaça de que qualquer coisa de esquerda “afugenta o investidor”, teria de ser combatido. Como acreditar no futuro econômico de um país com infraestrutura em pandarecos, com sistema educacional ridículo, desigualdades sociais gritantes e tanta insegurança pública?

Falo, portanto, de quatro pilares do bolsonarismo: neoliberais, tele-evangélicos, milicianos e fisiológicos. Nem menciono o agronegócio e as mineradoras, cujas exportações seguraram a economia nestes anos.

É muita gente para ser conciliada. São muitas cabeças sobre as quais passar a mão. Unificar uma grande maioria para derrotar Bolsonaro nas urnas pode ser possível. O preço a pagar num governo futuro pode ser altíssimo.

São, como eu disse, duas tarefas distintas. O crescimento de uma mobilização popular, culminando num impeachment, abriria caminho para opções mais claras no momento posterior das eleições.

O corpo mole com relação ao impeachment pode resultar no mesmo que se viu durante a era Lula: um jogo de equilibrismo com a direita, que se torna mais difícil agora que seu ressentimento e radicalização vieram à tona.

Meu raciocínio pode ser acusado de total irrealismo — o impeachment parece distante. Mas o irrealismo de hoje pode se revelar bem realista daqui a alguns anos. Esquecer a experiência de 2013, e dos anos que se seguiram, é também fechar os olhos para o que acontece.


terça-feira, 21 de setembro de 2021

Universidade Estadual do Espírito Santo

Cadê você?

Prefácio

O Estado do Espírito Santo não tem, ainda, uma universidade estadual. Na região sudeste é o único que não tem. No Brasil, está acompanhado de Acre, Sergipe e Rondônia. Bahia tem 3 universidades estaduais, Ceará 3, Paraná 7, Rio de Janeiro 3, São Paulo, 3 e Minas Gerais 2. Ver aqui

O governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, anunciou, em setembro de 2019, a criação da Universidade Estadual:

Em anúncio feito na última segunda-feira (2/9/2019), o governador do Espírito Santo, Renato Casagrande, citou a criação da Universidade Estadual do Espírito Santo, dentro do Projeto de Lei do Plano Plurianual (PPA) relativo ao período 2020-2023, enviado à Assembleia Legislativa. (Folha de Vitória) 

O secretário de Educação, na época, Victor Amorim de Ângelo, disse "É uma demanda antiga do Espírito Santo. Nós somos um dos poucos estados que não tem universidade estadual. Na região sudeste, somos o único. (A criação da universidade) tem um caráter simbólico, mas também estratégico. Outros estados apostaram nisso e viram bons resultados".

Mas a ideia não foi boa, pois o secretário informou que inicialmente, a universidade funcionará com o sistema de ensino à distância (EAD). As aulas presenciais dos serviços já oferecidos pelo estado - como a Fames - irão continuar funcionando nos espaços já existentes e não há previsão de uma criação de espaço físico para a universidade.

As universidades estaduais no Brasil que existem no Brasil têm outras propostas. Não são simbólicas. Basta ver quem são. E não pensam pequeno.

O sistema de ensino superior estadual no Brasil

O quadro abaixo mostra o número de vagas na graduação no sistema de Ensino Superior no Brasil, em 2019. Corresponde a um sistema muito privatizado, e nele, o ensino superior estadual representa 27,2% do ensino superior público.

Segundo dados de 2018, existiam 2.077.481 matrículas no ensino superior público (Federal, Estadual e Municipal) no Brasil. O sistema estadual público foi responsável por 31,8% destas matrículas (660.854).

São dados que mostram o tamanho do sistema de ensino superior público estadual no Brasil.


Número de Vagas de Cursos de Graduação, por Tipo de Vaga e Categoria Administrativa – 2019  MEC/Inep

A luta por uma Universidade do Estado do Espírito Santo vem de há tempos. Em maio de 2011 ocorreu uma Audiência Pública realizada no Plenário Dirceu Cardoso da Assembleia Legislativa do ES, organizada pela Frente Parlamentar em Defesa de uma Instituição Estadual de Ensino Superior, debateu a necessidade de criação da Universidade Estadual do Espírito Santo. É preciso universalizar o ensino fundamental e médio, com maior qualidade. Mas, essa luta não interfere na busca por uma universidade estadual. (Roberto Carlos – PT)

Nesta audiência, esteve presente o primeiro reitor da Federal do ABC e ex-reitor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Hermano Tavares, que apresentou os modelos pedagógicos dessas instituições, com ênfase na primeira.

Interfácio

O Ensino Superior no Espírito Santo

Ensino Público no ES

Universidade Federal do Espírito Santo (UFES): Vitória, Alegre e São Mateus

Instituto Federal do Espírito Santo (IFES): Vitória, Alegre, Vila Velha, Cachoeiro de Itapemirim, Cariacica, Colatina, São Mateus, Santa Teresa e Nova Venécia

Em Alegre: Escola Agrotécnica Federal de Alegre (EAFA), Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Alegre (FAFIA) e em Vitória: Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES)

 

O Ensino superior no ES, presencial e EaD em 2019 - Semesp

Com 4,1 milhões de habitantes divididos em quatro mesorregiões e 78 municípios, o Espírito Santo é o estado da Região Sudeste com a menor população e, consequentemente, menor número de IES: 78 IES que ofertam cursos presenciais e 75, EAD (um aumento de 31,6% em relação a 2018, quando 57 IES ofertavam ensino a distância).

O Espírito Santo possui taxa de escolarização líquida (que mede o total de jovens de 18 a 24 anos matriculados no ensino superior em relação ao total da população da mesma faixa etária) de 19,4%, um pouco acima da média nacional (18,1%), mas a menor do Sudeste. 50,8% do total de alunos do ensino superior no estado tem até 24 anos, o menor percentual da região Sudeste. 79,2% das matrículas totais (presencial e EAD) do estado estão em instituições privadas. Em relação às modalidades, 70,0% das matrículas são em cursos presenciais

Com um PIB de 138 bilhões de reais e 26,8 mil concluintes no ensino médio, em 2019, o estado registrou 154 mil matrículas no ensino superior: 108 mil em cursos presenciais e 46,4 mil na modalidade EAD. Em 2019, a rede privada do Espírito Santo registrou 53,3 mil ingressantes no ensino superior nas modalidades presencial e EAD. Na primeira, foram 24,4 mil ingressantes, uma queda de 7,8% em relação a 2018. (Mapa do ensino superior noES, Semesp) 

O Espírito Santo é o estado com menor número de matrículas na região Sudeste, apenas 4,1% dos estudantes estão matriculados nas IES do estado. A representatividade das matrículas do estado em relação ao Brasil é de 1,8%.

Apesar da queda de matrículas desde 2016, a rede privada ainda detém grande parte dos estudantes dos cursos presenciais do estado do Espírito Santo, 71,4%.

O crescimento das matrículas presenciais de 2009 a 2019 foi de 17,6%. No caso da rede privada, esse aumento foi de 8,6%. Na rede pública, no mesmo período, o acréscimo de matrículas foi de 48,3%, algo incomum no país. 97,4% dos estudantes da modalidade EAD do estado do Espírito Santo estão matriculados na rede privada, um crescimento de 3,7 pontos percentuais de participação em relação a 2018 (93,7%). É o maior percentual do Sudeste.

O salto das matrículas nos cursos EAD de 2009 a 2019 foi de 122%; na rede privada, esse aumento foi de 201%, com queda de 79,5% na rede pública.

Ensino Superior no Espírito Santo - Semesp

No Brasil, em cursos presenciais, há 2,4 alunos matriculados na rede privada para cada aluno matriculado na rede pública. No Espírito Santo, há 2,8 alunos matriculados na rede privada para cada aluno matriculado na rede pública

Fonte: MEC/Inep - 2018

Pósfácio

No vestibular da UFES, em 2015, foram inscritos 25.621 candidatos e candidatas para 4.266 vagas. Sobraram 21.355. Para onde foram quem não conseguiu vaga? Pelo que vimos no Interfácio há uma quase hegemonia do setor privado do ensino superior no Espírito Santo. Recorrem ao Prouni ou FIES para entrar numa faculdade? É possível e é uma saída.

A esta demanda reprimida por ensino superior, uma universidade estadual pode ser outra saída. Mas uma universidade com um campus físico, salas de aula, laboratórios, bibliotecas, restaurantes universitários, teatros etc. Com docentes capacitados, funcionários técnicos-administrativos e infraestrutura necessária para o ensino, pesquisa e extensão de qualidade.

O governo do Estado pode perguntar: e de onde vem os recursos para criar a universidade? Fácil, é só perguntar para os governos de 23 Estados da Federação, que têm mais de 30 universidades estaduais, como eles sustentam as suas. Educação não é gasto. É investimento em cidadania e profissionalização. Investimento em ensino, pesquisa, extensão e desenvolvimento.

O Espírito Santo merece uma Universidade Estadual

Universidades Estaduais no Brasil

1. Acre: Não possui universidade estadual.

2. Alagoas: Universidade Estadual de Alagoas.

3. Amapá: Universidade do Estado do Amapá. 

4. Amazonas: Universidade do Estado do Amazonas

5. Bahia:

Universidade do Estado da Bahia. 

Universidade Estadual de Feira de Santana.

Universidade Estadual de Santa Cruz.

Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia.

6. Ceará:

Universidade Estadual do Ceará.

Universidade Estadual Vale do Acaraú.

Universidade Regional do Cariri.

7. Distrito Federal: Universidade Aberta do Distrito Federal.

8. Espírito Santo: Faculdade de Música do Espírito Santo "Maurício de Oliveira". 

9. Goiás: Universidade Estadual de Goiás. 

10. Maranhão:

Universidade Estadual do Maranhão . 

Universidade Estadual da Região Tocantina doMaranhão. 

11. Mato Grosso: Universidade do Estado de Mato Grosso.

12. Mato Grosso do Sul: Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. 

13. Minas Gerais:

Universidade do Estado de Minas Gerais. 

Universidade Estadual de Montes Claros. 

14. Pará: Universidade do Estado do Pará. 

15. Paraíba: Universidade Estadual da Paraíba. 

16. Paraná:

Universidade Estadual de Londrina.

Universidade Estadual de Maringá. 

Universidade Estadual do Paraná. 

Universidade Estadual de Ponta Grossa.

Universidade Estadual do Centro-Oeste. 

Universidade Estadual do Norte do Paraná.

Universidade Estadual do Oeste do Paraná. 

17. Pernambuco: Universidade de Pernambuco. 

18. Piauí: Universidade Estadual do Piauí. 

19. Rio de Janeiro:

Universidade do Estado do Rio de Janeiro. 

Universidade Estadual da Zona Oeste.

Universidade Estadual do Norte FluminenseDarcy Ribeiro.

20. Rio Grande do Norte: Universidade do Estado do Rio Grande do Norte. 

21. Rio Grande do Sul: Universidade Estadual do Rio Grande do Sul. 

22. Rondônia: Não possui universidade estadual.

23. Roraima: Universidade Estadual de Roraima.

24. Santa Catarina: Universidade do Estado de Santa Catarina.

25. São Paulo:

Universidade de São Paulo.

Universidade Estadual de Campinas. 

Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho". 

Universidade Virtual do Estado de São Paulo.

Faculdade de Medicina de Marília.

Faculdade de Medicina de São José do RioPreto. 

Faculdade de Tecnologia de São Paulo. 

26. Sergipe: Não possui universidade estadual.

27. Tocantins: Universidade do Tocantins. 


Fonte

 

Ensino Superior no Estado do Espírito Santo

VITÓRIA

Público:

Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)

Instituto Federal do Espírito Santo (IFES)

Faculdade de Música do Espírito Santo (FAMES)

Privado:

Escola de Cs. da Sta. Casa Misericórdia de Vitória (EMESCAM)

Faculdade de Administração Espírito-Santense (FAESA)

Centro Ensino Superior de Vitória (CESV)

Faculdade Brasileira

Faculdade Unida de Vitória

Faculdade Católica Salesiana do Espírito Santo

Faculdade de Tecnologia FAESA (CET-FAESA)

Faculdade FUCAPE

Faculdade Nacional (FINAC)

Faculdade Saberes

Faculdade UNIVES

Faculdades Integradas de Vitória (FDV)

Faculdades Integradas Espírito Santenses (FAESA)

Instituto de Pós-Graduação & Graduação (IPOG)

Universidade Cândido Mendes (UCAM)

VILA VELHA

 Público:

 Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

 Privado:

 Centro Universitário Vila Velha (UVV)

 Escola Superior Aberta do Brasil (ESAB)

 Faculdade Ateneu (FATE)

 Faculdade Cenecista de Vila Velha (FACEVV)

 Faculdade de Ciências Econômicas e Administrativas Vila Velha

Faculdade de Odontologia São Leopoldo Mandic (SLMANDIC)

Faculdade de Vila Velha

Faculdade Novo Milênio (FNM)

Insitituto Superior de Educação Ateneu (ISEAT)

Universidade de Vila Velha (UVV)

Universidade Estácio de Sá

ALEGRE

 Público:

Universidade Federal do Espirito Santo (UFES)

 Escola Agrotécnica Federal de Alegre (EAFA)

 Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Alegre (FAFIA)

 Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

ARACRUZ

Público:

Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

Privado:

Faculdade de Aracruz (FAACZ)

Faculdade Casa do Estudiante (FACE)

BARRA S. FRANCISCO

Privado:

Faculdade de Tecnologia São Francisco (UNESF)

Faculdade Teológica de Ciências Humanas e Sociais Logos (FAETEL)

CACHOEIRO DE ITAPEMIRIM

Público:

Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

Privado:

Centro Universitário São Camilo (CUSC)

Fac. de Cs. Cont. e Adm. de Cachoeiro do Itapemirim (FACCACI)

Faculdade de Direito de Cachoeiro do Itapemirim (FDCI)

Faculdade do Espírito Santo (UNES)

Faculdade São Camilo

 CARIACICA

 Público:

 Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

 Privado:

 Faculdade de Cariacica

 Faculdade São Geraldo (FSG)

 Faculdade de Educação Superior PIO XII

 Insitituto Superior de Educação de Cariacica (ISEC)

CASTELO

Privado:

Faculdade de Castelo (FACASTELO)

 SERRA

 Privado:

 Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)

 Escola de Ensino Superior Alternativo (CESA)

 Faculdade Batista (FABAVI)

 Faculdade de Educação da Serra (FASE)

 Faculdade do Centro Leste (UCL)

 Faculdade de Ensino Superior Blauro Cardoso de Mattos (FASERRA)

 Insitituto Superior de Educação da Serra (FABAVI)

SÃO MATEUS

Público:

Universidade Federal do Espirito Santo (UFES)

Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

Privado:

Faculdade Vale do Cricaré (F.V.C.)

 S. MARIA DE JETIBÁ

 Público:

 Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

 Privado:

 Faculdade da Região Serrana (FARESE)

SANTA TERESA

Público:

Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

Privado:

Escola Superior São Francisco de Assis (ESFA)

 IÚNA   

 Privado:

 Faculdades Unificadas Doctum

NOVA VENÉCIA

Público:

Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

Privado:

Faculdade Capixaba de Nova Venécia

 COLATINA        

 Público:

 Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

 Privado:

 Centro Universitário do Espírito Santo (UNESC)

 Faculdade Castelo Branco (FCB)

GUARAPARI

Público:

Instituto Federal do Espirito Santo (IFES)

Privado:

Faculdade Pitágoras


Fonte 


domingo, 19 de setembro de 2021

Carlos Zéfiro

Centenário de Carlos Zéfiro, autor dos ‘catecismos’ eróticos, ocorre sob governo brochante

Rei da sacanagem libertadora, quadrinista escancarou interditos e tabus sobre sexo que alguns gostariam que retornasse

Joaquim Ferreira dos Santos, 18/09/2021, O Globo

Sacanagem mesmo é o que faz a dupla Bolsonaro e Paulo Guedes, mas já que isso aqui é um segundo caderno, de assuntos culturais, chegou a hora de louvar o centenário de Carlos Zéfiro, o rei brasileiro da sacanagem benigna, aquela dedicada à exaltação do prazer sexual.

Era o pseudônimo artístico de Alcides Aguiar Caminha, nascido no subúrbio de Anchieta em 25 de setembro de 1921, datiloscopista do Ministério do Trabalho, pacato cidadão pai de cinco filhos. Nas horas vagas, a partir do início dos anos 1950, ele se transformava em Carlos Zéfiro, o transgressor. Desenhou histórias em quadrinhos de acabamento gráfico tosco, pornografia pura e sem pretensão de arte erótica, mas que acabaram servindo de educação sexual a milhões de brasileiros. O Brasil transava de luz apagada com medo de ser flagrado em pecado. Zéfiro acendeu.

Capa de "Nilda", de Carlos Zéfiro Foto: Agência O Globo

O Brasil era assim como o governo Bolsonaro gostaria que voltasse a ser, um cercadinho de proibidos, cintos de castidade e espartilhos por todos os lados. Sexo era assunto a ser tratado depois da bênção do padre, o momento nupcial divino ao qual a moça deveria chegar inocente de tudo, com o hímen complacente preservado e a camisola do dia pronta para o sangue do defloramento. Ao homem era permitida a experiência de meia dúzia de idas ao prostíbulo municipal, a universidade macha onde ele se diplomava em virilidade ao ganhar uma gonorreia.

 'Catecismo' de Carlos Zéfiro Foto: Reprodução

Regulação do prazer

O centenário de Carlos Zéfiro podia ser mais uma efeméride nostálgica, a lembrança de um tempo em que ainda havia pecado do lado de baixo do Equador. É um gozo de atualidade. Ocorre num momento de conservadorismo doente, quando o Estado brasileiro quer regular os limites do prazer, estabelecer as cores certas para os gêneros e novamente tornar a educação sexual um tabu.

Não é só a saudade da ditadura que voltou à moda. A ministra da Mulher, Família e Direitos Humanos, diante do crescimento de casos de gravidez na adolescência, recomendou que a turma controlasse os hormônios — e, sem constrangimento, como se estivesse no tempo em que Zéfiro começou a desenhar, fez campanha na televisão pela prática da abstinência sexual. Sugeriu que os jovens voltassem a se trancar no banheiro — e mãos à obra, imaginação à solta, tudo pelo bem do Brasil!

Catecismo de Zéfiro Foto: Reprodução

As revistinhas, produzidas até o início dos anos 1970, ganharam o nome de “catecismos” porque nas salas de aula eram colocadas dentro daqueles de verdade, escapando da investigação dos professores. Tudo era às escondidas e prenhe de ignorância. No cinema, o casal se beijava, fechava os olhos e na cena seguinte apareciam os filhos. O livro “Nossa vida sexual”, do alemão Fritz Kahn, a bíblia da época sobre o que se passava na cama, descrevia a penetração com os mesmos termos assustadores de um legista na autópsia de um morto por esfaqueamento.

Sexo era dor, lençol sujo de sangue, o golpe do suadouro, a jovem Aída Curi jogada do edifício de Copacabana em meio à uma curra, a Fera da Penha queimando viva a filha do amante que a traíra — até que apareceu Zéfiro espalhando gargalhadas em meio ao ato sexual e, principalmente, mulheres sussurrando “mais, mais, mais...”

Carlos Zéfiro Foto: Agência O Globo

Democracia de sensações

Pelo menos três gerações de brasileiros foram apresentadas à coreografia do sexo através dos catecismos. Mais do que com o repertório interminável das posições, muitos ficaram impressionados com a democracia das sensações. Quer dizer que as mulheres gozavam? Eram ativas no direito ao prazer? Propositivas?

Feministas podem flagrar algum preconceito, mas as mulheres de Carlos Zéfiro eram diferentes das que habitavam os subúrbios dramáticos de Nelson Rodrigues. Estas também viviam às voltas com as pulsações da carne, mas no segundo ato já estavam desgraçadas pelos tormentos da culpa, e se suicidavam no terceiro, vítimas da repressão, do ciúme incontrolável, do adultério com o cunhado, da fofoca de um vizinho que viu tudo e outros moralismos da época. O sexo rodrigueano era um inferno. Já em “O viúvo alegre”, “Maria, a proibida”, “Maria Lúcia, a capixaba”, “João Cavalo na fazenda”, “Boas entradas”, “Suzette”, “A garçonete” e mais de cinco centenas de títulos do pornógrafo de Anchieta, cada quadrinho era um degrau festivo que se subia, com as pernas bambas, as mucosas em êxtase, rumo ao paraíso terreno da felicidade sexual.

Catecismo de Carlos Zéfiro Foto: Reprodução

Carlos Zéfiro é um pioneiro na liberação dos costumes nacionais e, com o passar das décadas, juntaram-se a ele Luz del Fuego, Leila Diniz, os Dzi Croquettes, Ney Matogrosso, Bruna Linzmeyer, Pabllo Vittar. O país seguia razoável no empenho civilizatório de normalizar o desejo segundo o desejo de cada um — até que a morte tomou o poder federal e declarou a liberdade sexual como inimigo público. Todos na caça ao kit-gay com que os professores comunistas doutrinam nossas crianças.

Dias atrás, manifestantes a favor desse contexto de infelicidades levaram à Avenida Paulista um pênis inflável. Não à toa, como se fosse uma alegoria da República em 2021, o mastro cruzou a avenida em verde-e-amarelo coruscante, mas em lamentável meia-bomba. Em pleno centenário de Carlos Zéfiro, o Brasil de “João Cavalo” broxou. Coisa de quem não rezou o catecismo, não sabe que só com tesão livre se põe um país de pé — e, definitivamente, não comungou da hóstia molhadinha e consagrada de “Diana, a sacerdotisa”.


Documentário sobre Carlos Zéfiro reestreia com imagens de sexo cortadas

No dia do seu centenário, documentário de Silvio Tendler volta ao Canal Curta, em versão do diretor

O Globo, 19/09/2021

Na meia-noite do dia 25 para o 26 de setembro, o documentário “Em busca de Carlos Zéfiro” ganha uma nova vida, no momento exato em que seu biografado completaria 100 anos.

Finalizado em 2020, o filme de Silvio Tendler teve problemas ao ser exibido pela primeira vez no ano passado. O mesmo Canal Curta, que o exibirá na semana que vem, recusou-se a colocá-lo na sua grade de programação com os desenhos mais explícitos de Zéfiro. O diretor teve que cortar as imagens de sexo escancarado, apagando a essência da arte do desenhista carioca. Agora, ele será reexibido em uma versão do diretor. O longa de 90 minutos ouve personalidades como o antropólogo Roberto da Matta e o escritor Gonçalo Júnior, autor de uma biografia de Zéfiro.

— Nos meus 50 anos de cinema, este foi o meu filme que mais foi reprimido — diz Tendler. — O doc não é pornográfico. Como todos os outros que fiz, é um filme de resgate de memória. Zéfiro é um herói libertário para toda uma geração, que aprendeu com ele que o prazer não precisa ser castigados.


Promo Centenário Em Busca de Carlos Zéfiro


ABI Cieclube debate o filme Zéfiro, de Silvio Tendler.